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Poesia - Entre soja e estrelas, por Paulo Portuga

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 5 horas
  • 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta, escritor e músico de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "Entre soja e estrelas"/


ENTRE SOJA E ESTRELAS


Indo em direção à fronteira,

vi amarelos grãos de soja rolando sobre o asfalto negro,

perdidos pelo caminho torto.

Rolavam livres e soltos, ao sabor do vento de outono.


A estrada corta baixos planaltos de solos vermelhos e férteis.

Às margens, plantações e matagais.

A floresta já não existe mais.

No lugar de verdes árvores, silos de prata armazenam grãos.


Modernas chaminés de aço-carbono,

das usinas de cana-de-açúcar,

expelem gases e vapor para o céu,

e as estrelas ainda brilham nuas.


As cores do dia se inauguram,

ampliando o horizonte mais adiante.

O rio dourado que separa municípios

carrega também detergente e agrotóxicos.

Um cachorro caramelo morto fede

no acostamento de terra batida.

Aves de rapina rodeiam o céu,

esperando cessarem carros e caminhões.

Eu carrego só uma mochila: lápis, cadernos e alguns borrões.


Liberdade é poder avaliar consequências,

seguir em frente sem olhar para trás,

ter virtudes como disciplina e a força de poder continuar.

A vida é uma viagem longa, o destino a gente tenta escolher.


O caminho quem faz sempre é você.

Na partida vamos na frente, dirigimos.

Na chegada já somos passageiros.

Na paisagem viajamos sem saber.


Paulo Portuga, 05/03/2026.

 
 
 

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