Poesia - Entre soja e estrelas, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

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Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta, escritor e músico de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "Entre soja e estrelas"/
ENTRE SOJA E ESTRELAS
Indo em direção à fronteira,
vi amarelos grãos de soja rolando sobre o asfalto negro,
perdidos pelo caminho torto.
Rolavam livres e soltos, ao sabor do vento de outono.
A estrada corta baixos planaltos de solos vermelhos e férteis.
Às margens, plantações e matagais.
A floresta já não existe mais.
No lugar de verdes árvores, silos de prata armazenam grãos.
Modernas chaminés de aço-carbono,
das usinas de cana-de-açúcar,
expelem gases e vapor para o céu,
e as estrelas ainda brilham nuas.
As cores do dia se inauguram,
ampliando o horizonte mais adiante.
O rio dourado que separa municípios
carrega também detergente e agrotóxicos.
Um cachorro caramelo morto fede
no acostamento de terra batida.
Aves de rapina rodeiam o céu,
esperando cessarem carros e caminhões.
Eu carrego só uma mochila: lápis, cadernos e alguns borrões.
Liberdade é poder avaliar consequências,
seguir em frente sem olhar para trás,
ter virtudes como disciplina e a força de poder continuar.
A vida é uma viagem longa, o destino a gente tenta escolher.
O caminho quem faz sempre é você.
Na partida vamos na frente, dirigimos.
Na chegada já somos passageiros.
Na paisagem viajamos sem saber.
Paulo Portuga, 05/03/2026.





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