Poesia - Em alto grau, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 1 de ago. de 2025
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Em alto grau".
EM ALTO GRAU
despenca da terra
vejo você sorrir para mim
que produz um clique
na minha
piruetando nas veias
Dando em mim
um quiproquó danado
escaramuçando meu coração
que amealhou
por ti
(In: Bovinoletras, 2008).





Em sua obra "Em Alto Grau", presente no livro Bovinoletras (2023), Carlos Amarilha demonstra uma genialidade poética que transcende a mera construção de versos.
O poeta se apropria de figuras de linguagem da poesia contemporânea para desconstruir e reinterpretar a experiência amorosa, oferecendo uma análise profunda e multifacetada da condição humana, tudo isso utilizando a riqueza da língua portuguesa.
A crítica se inicia na subversão da gravidade: "despenca da terra". Que louco né! Esta hipérbole inicial, ao inverter o movimento natural de queda, não apenas intensifica a sensação de desequilíbrio e vertigem provocada pelo amor, mas também estabelece o tom do poema, onde as leis do mundo físico são suspensas em favor da emoção. É a partir desse desarranjo que…
No palco do meu ser, em alto grau de emoção, a gravidade se inverte. E de um céu que não existe, o meu mundo despenca da terra. Deslocado e sem rumo, eu me perco, mas me encontro quando vejo você sorrir para mim. Seu sorriso, um simples gesto, é o catalisador que transforma a realidade, que produz um clique na engrenagem antes travada. É a centelha que desperta a vida em minha alma adormecida. E o amor, como uma bailarina incontrolável, vai piruetando nas veias, uma dança frenética que me toma por inteiro.
Essa sensação invade cada fibra, dando em mim uma confusão deliciosa, um quiproquó danado. É um tumulto de sentimentos que se atropelam, mas que fazem sentido quando…
O poema "Em Alto Grau" apresenta uma profunda reflexão sobre o impacto transformador do amor. A estrutura textual, embora concisa, é densa em significado, explorando a desestabilização da ordem natural e a subsequente reestruturação do ser a partir de um encontro.
A epígrafe "EM ALTO GRAU" já estabelece o tom da intensidade emocional que permeia a obra. A imagem inicial, "despenca da terra", sugere uma ruptura com a realidade, uma inversão da lógica e da gravidade que regem o mundo físico. O eu lírico experimenta uma perda de chão, um desequilíbrio que, contudo, não é negativo, mas sim o prelúdio para um novo estado de ser.
Essa desordem encontra um novo centro de gravidade na figura amada. O verso "vejo…