Poesia - Eco Semente, Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- há 16 horas
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Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com Eco Semente.

ECO
SEMENTE
Tamanduá
quer ir à África
se aventurar
numa gaiola
Portuguesa
com certeza
que poderá
escapar da esperteza
do Rio Paraguai
Porto Esperança
achou ridícula a ideia
deixando com alvará
para mais espera
daí chegou o menino
que foi colocado nas histórias que
responsabilizou os demais
que tinha que deixar o bicho solto
no mato bem grosso
dos pântanos da vida
por aqui não tem preguiça
disse o guarda a favor
ao delegado
que encerrou o papo
deixando o tamanduá
de onde nunca deveria ter saído
[In: Pantanal: bicho, areia e cal)





Uma boa semente que a arte planta e colhe .
Falou e disse, Mano Vei
O poema "Semente" apresenta-se como uma crônica lírica que subverte a lógica da exploração para reafirmar o valor da preservação. Através de uma narrativa que caminha entre o lúdico e o burocrático, o autor utiliza o humor não apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta política e ética para denunciar o deslocamento forçado da fauna pantaneira e a herança colonial que ainda permeia nossa relação com a terra.
A genialidade da obra reside, primeiramente, na construção da premissa: um tamanduá que deseja ir à África em uma "gaiola portuguesa". Aqui, o poeta estabelece um contraste irônico entre a fauna nativa e o símbolo da colonização (a gaiola e a nacionalidade atribuída a ela). Ao personificar o animal com um desejo…
O poema "Semente" é um exemplo primoroso de como a poesia pode ser uma ferramenta de conscientização ambiental sem cair no didatismo pesado. Através de um humor sutil e uma estrutura quase narrativa, o autor constrói uma defesa ferrenha da fauna brasileira, ancorada em um cenário geográfico e histórico muito específico.
1. O Humor como Crítica ao Absurdo
A genialidade do texto começa pela ironia central: um tamanduá querendo ir à África. O humor reside no absurdo da situação — um animal nativo do Pantanal buscando aventura em uma "gaiola portuguesa". Essa personificação serve para ridicularizar o tráfico de animais ou o desejo humano de deslocar a natureza de seu habitat original. O poeta brinca com a "esperteza" do Rio…