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Poesia - Eco Semente, Carlos Magno Amarilha

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 16 horas
  • 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com Eco Semente.


ECO

SEMENTE



Tamanduá

quer ir à África

se aventurar

numa gaiola


Portuguesa

com certeza

que poderá

escapar da esperteza

do Rio Paraguai


Porto Esperança

achou ridícula a ideia

deixando com alvará

para mais espera


daí chegou o menino

que foi colocado nas histórias que

responsabilizou os demais

que tinha que deixar o bicho solto

no mato bem grosso

dos pântanos da vida


por aqui não tem preguiça

disse o guarda a favor

ao delegado

que encerrou o papo

deixando o tamanduá

de onde nunca deveria ter saído



[In: Pantanal: bicho, areia e cal)



 
 
 

4 comentários

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há 6 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Uma boa semente que a arte planta e colhe .


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há 12 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Falou e disse, Mano Vei

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há 12 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

O poema "Semente" apresenta-se como uma crônica lírica que subverte a lógica da exploração para reafirmar o valor da preservação. Através de uma narrativa que caminha entre o lúdico e o burocrático, o autor utiliza o humor não apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta política e ética para denunciar o deslocamento forçado da fauna pantaneira e a herança colonial que ainda permeia nossa relação com a terra.


A genialidade da obra reside, primeiramente, na construção da premissa: um tamanduá que deseja ir à África em uma "gaiola portuguesa". Aqui, o poeta estabelece um contraste irônico entre a fauna nativa e o símbolo da colonização (a gaiola e a nacionalidade atribuída a ela). Ao personificar o animal com um desejo…


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Convidado:
há 12 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

O poema "Semente" é um exemplo primoroso de como a poesia pode ser uma ferramenta de conscientização ambiental sem cair no didatismo pesado. Através de um humor sutil e uma estrutura quase narrativa, o autor constrói uma defesa ferrenha da fauna brasileira, ancorada em um cenário geográfico e histórico muito específico.

1. O Humor como Crítica ao Absurdo

A genialidade do texto começa pela ironia central: um tamanduá querendo ir à África. O humor reside no absurdo da situação — um animal nativo do Pantanal buscando aventura em uma "gaiola portuguesa". Essa personificação serve para ridicularizar o tráfico de animais ou o desejo humano de deslocar a natureza de seu habitat original. O poeta brinca com a "esperteza" do Rio…

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