Poesia - Devastação, por Ilsyane Kmitta
- Alex Fraga

- 21 de jul. de 2025
- 1 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com a professora universitária, poeta e escritora de Dourados (MS), Ilsyane Kmitta, com "Devastação".
Devastação
Na calada da noite... o voto fatal
Cortando mais que açoite ... numa cartada final
Devastação seguindo seu curso .... sem brechas ou recursos
A queda moral por entre frestas ... sem aparo de arestas
Sangrando cai a floresta... o rio a agonizar
Amazônia chora o pouco que ainda resta
Na obediência da política alucinada... que a tudo faz barganhar
Não há berço pujante para a Pátria mãe gentil
Só dissabores que não se guardam em cantil
Cerrado berço das águas... Pampa, Caatinga e Pantanal
Tragédia que ameaça vidas... em profunda imolação
Natureza se esvaindo... ruindo ... basta apertar um botão
Retrocesso e cobiça... Ganância e ameaça...
A mais abjeta desgraça...
Restingas, nascentes e rios,
Rouxinol, Garça, Araras e tamanduás
Corixos, cachoeiras, matas e guavirais
Sumaúma, palmeiras, piúvas e manguezais
Garças, tuiuiús e baguaris
Campinas verdes, lobo guará, pequi e buritizais
Dourado, Piraputanga e lambaris
Destruição...devastação...morte
Vida e natureza nos carteados da sorte
Sem blefe, sem dados, sem embaralhar
Somente máquinas... moto serras a rufar
Ladrões de vida ... agentes algozes
Fazendo selfies a celebrar
Votos e investidores... financiando seus tratores
Natureza é apartidária... nas mãos dessa gentalha
Que a tudo vai devastar...
Sem dó nem piedade
Sem respeitar espécie ou idade
Vai a todos aniquilar...
Pobre humano em sua ignorância
Celebrando com elegância
Sua morte a prenunciar...
Pobre humano que da terra vieste
Natureza é berço da vida
Pobre humano na terra... só faz a terra... matar.





Reflexão profunda guiada pelo poema. Triste humanidade suicida.