Poesia - Descaminhos, por Tânia Souza
- Alex Fraga

- 14 de fev. de 2023
- 1 min de leitura
Atualizado: 30 de jun. de 2025
Terça-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com a professora, poeta e escritora de Campo Grande (MS), Tânia Souza, com seu poema intitulado Descaminhos.

Descaminhos sigo descalça entre corpos e sonhos
despedaçados sentindo entre-os-dedos ausência de
verve vida há pedras, espinhos e ferrugem guiando estes passos bêbedos e
famintos
chove agora num lugar qualquer dançam violentas sob carne e
esperança
velhas lágrimas desperdiçadas
unhas e esmaltes descascados de
outrora
sobre os destroços da última guerra
asas cortadas sob agônica aurora
ainda há flores no caminho
ah, estas pétalas sanguinolentas
ferem de espanto minhas íris
farpas em cílios quase adormecidos
ácida e lasciva cor em boca-e-dente estilhaça meus sentidos resquícios de sonhos e gemidos sigo em pés desnudos e lamento
violino esqueço-me, anjo perdido em
ancestral batalha





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