Poesia - Cortejo secreto, por Marcos Coelho
- Alex Fraga

- 5 de out.
- 2 min de leitura

Domingo no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Marcos Coelho, com Cortejo secreto.
Cortejo secreto
Marcos Coelho Cardoso
Velas bruxuleantes...
As cinzas pelo chão...
As chamas recém apagadas...
Apenas um vento frio geme na folhagem...
Resta de ti apenas uma opaca imagem...
Os sonhos como cinzas espalham-se a estrada...
Caminhos ocultos guardam o segredo de seus pensamentos...
Não ouvir mais tua voz é a última tortura do tempo...
Deus sabe os caminhos e as feridas do golpe do sabre...
O sangue escorre quente pela ferida aberta...
Os sonhos evadem-se silenciosos...
A vida dolente não responde nada...
A vida é escura e sombria sem os sonhos...
A esperança é a luz como o sorriso da criança...
A inocência em acreditar no que já caiu no descrédito...
As palavras ocas, sem conteúdo...
Onde irá você agora nesta madrugada?
Quais mentiras quer proferir agora?
Mentir em pura fantasia que a verdade não descubra...
Serás livre? Acreditas nisso? Ó tolo mentiroso...
É um carinhoso delírio dizer inverdades...
O sino da igrejinha desperta os débeis anjinhos...
Anjinhos de mármore imóveis e inocentes...
Frios como a própria pedra...
Débeis como a própria mentira de sua dura pedra...
Essa mesma que se permitiu ser moldada...
O ser humano é estranho personagem...
Quebradiço, frágil, ignóbil como o segredo de não ser eterno...
E, assim, poder seguir o féretro de forma segura.
E as flores de todo o mundo se esgotaram...
Esgotaram-se os desejos de evoluir...
Emoções tolas carregadas de ilusões e incertezas...
Aonde ir?
O trono está vazio.
O régio poder transitou de mãos...
Mãos inseguras e totalmente inseguras de manejar o cetro...
A direção é perturbadora e incerta...
Os versos não traduzem ilusões perfeitamente...
Os passos vacilam ante o ardor do sentimento.
Pés rijos e frios, o piso de mármore de Carrara...
Segue-se o Cortejo Secreto...
O amor é o segredo dos amantes...
A palavra e a rima bailam a disfarçar o real...
As flores incitam palavras não pronunciadas
E um grito mais que mudo... o concreto mesmo só o é a POESIA.





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