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Poesia - Clarice me disse, por Janet Zimmermann

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 8 horas
  • 1 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com a poeta e escritora de Campo Grande (MS), Janet Zimmermann, com "Clarice Zimmermann, com "Clarice me disse".


CLARICE ME DISSE


o que eu, para mim, jamais ousei:

Quem se indaga é incompleto.

Sim, ela, a bela dos olhos amendoados e olhar perdido

esteve aqui, inda há pouco, inexorável,

para me dizer essa verdade

que abrange mil verdades.


Clarice me disse,

em poucas linhas, um grosso livro.

Espinhos, farpas, ferrões

que me tiraram do conforto

– abrupto despertar –

para a zona de confronto:


Quem sou eu?

Eu sou esta, poema,

com o meu eu fujão estatelado

na bandeja,


pois que o que Clarice me disse,

me despiu – a dormente –

e me revestiu – desperta semente –

com a realidade que eu havia,

por longo tempo, negado.


O que Clarice me disse

– direta e firmemente como quem aguilhoa mentes –

me abriu um hiato fenomenal.

Doeu, desde as raízes. Gemi. Chorei.

Mas não tapei meu grito nem o vácuo

da minha magna incompletude...


De modo que eu (eu?),

daquele instante para cá,

encontro-me perdida

no perdido

vazio

de Clarice.

Todavia, em via de,

enfim, lúcida à Clarice,

me encontrar.

 
 
 

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