Poesia - Bagre ensaboado, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 11 de jul. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 21 de ago. de 2025

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Bagre ensaboado".
BAGRE ENSABOADO
maria japonesa (vizinha)
gente boa
todo dia passava em casa
e narrava uma história
para minha mãe
“dona Kika estou com uma
dor de cabeça tremenda...”
no outro dia:
“dona kika estou com uma dor...”
aqui... ali... e assim sucessivamente
os dias aconteciam
até que um dia minha irmã
saiu de seu quarto e interrompeu a conversa
“- maria não morreu ainda?
todo dia uma doença... Afê!’’
...
perto da casa e da tipografia de meus pais
no interior do matão do sul
havia vários açougues no máximo 200 metros
todos clientes de meu pai
açougue palmeiras
açougue bela vista
açougue cafelândia
morava em São Paulo
e fui passar o final de ano com meus pais
meu irmão me interpelou:
“- toma 20 cruzeiros
e compra um quilo de carne para bife”
respondi ok e perguntei onde?
ele respondeu: “- na farmácia”
nessa finíssima gentileza que fui criado
santa’ignorância perdoe-me os meus pecados
(IN: O Rosto da Rua, p. 52).





Sabe aquela história de que "filho de peixe, peixinho é"? Pois é, nem sempre. Nosso poeta aqui é a prova viva de que dá pra ser um bagre ensaboado e deslizar por caminhos totalmente diferentes dos que a vida parece ter te preparado. O poema, que ele mesmo batizou com esse nome superoriginal, é tipo um manual de sobrevivência, mas com uma pitada de ironia e muita verdade.
O "bagre ensaboado", pra quem não pegou a referência, é aquele peixe liso, rápido, que você tenta pegar e ele escapa sempre. É a metáfora perfeita pra descrever a trajetória do poeta: um cara que, mesmo com umas origens meio brutas, conseguiu se virar e construir a própria história.
Crescendo entre a…
Muito genial. Obrigada por colocar no poema a satirização da vida.
Maria de Fátima Salgado Silva
Ponta Porã