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Poesia - As águas do Getsêmani, por Nelson Araújo Filho


Uma quarta-feira no Blog do Alex Fraga de estreia no espaço de literário. Nelson Araújo Filho, nasceu em Campo Maior (Piauí), advogado formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Reside em Campo Grande - Mato Grosso do Sul. É poeta, escritor e coordenador do Instituto AGWA - organização que tem uma base na região pantaneira do Paraguai Mirim, epicentro do assoreamento na planície e das transformações que esta invasão vem promovendo a cada ano. Afirma "brincar com imagens usando palavras, às vezes", mas na realidade, é um construtor ímpar de sensibilidades...


As águas do Getsêmani


O suor oprime o arrastado de dezembro.

No lento dos dias, sem vocação para além das sombras

Ele vai consumindo as sombras das brisas

Enquanto avança indiferente à aflição

Profusamente vertida das vésperas

Sobre o fôlego dos homens.

A expectativa do amanhã é tormento acelerado.

Descrê. Se confunde. Tropeça.

De certeza, lhe cerca apenas

O mormaço extenuante de hoje.

Não será alterado o passo dos dias

Por causa do desejo surdo, de acaso no largo,

Que contaminou nas águas

Ou pelo calor obstinado, sufocando o ânimo.

Agonia constante de um amanhecer

Até o outro, diluindo os sentidos.

O verão, a terra, a vida.

Tudo é assim, nos limites!

Aqui, nesses abrasados nos alagados,

Onde a cheia começa com o suor da terra.


Não murmuro seja castigo imposto

Ou de merecimento de pronto recebido,

Tantos ajuntados de molestar

Na espreita dos homens e de suas casas módicas.

Mas dentro delas, a repartição no reduzido,

Confina em celas. Das paredes frestadas

Persistem os insetos, com asas, sem asas,

Adensando o espectro da expiação,

Seus dedos apontando sempre

Em perseguição das almas.

Ela é tanto mais cruel na solidão do sono,

Quando os pesadelos,

Na ordem sucessiva e simbólica dos três,

Remetem ao brinde e esgar dos maus.

Eles misturaram imundície no fermentado das vinhas

E se servem dela em copos de embalagem.

As nódoas do extrato ainda frescas.

Diante da borra deles, hesita a vida.

- Isso também me cabe ?


A noite não incomoda os cegos e transita no inevitável.

Empenha-se no alimentar das culpas

E dos temores abissais.

Essas impressões de angústia, atadas em nós,

Ataduras no mundano, a própria carne se submente.

Inocente sorverá, em sacrifício extremo,

Levando em abril,

As águas e as perturbações do verão.

Está escrito na graça.

Os homens, também pela graça,

Se conformam nos alagados,

Lugar do mundo

Os campos de águas do Payaguas dos Xarayes

Seus jardins da recriação.

Nelson Araújo Filho






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4 Comments

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Guest
Nov 02, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

Parabéns👏👏👏

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Guest
Nov 01, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

excelente

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Guest
Nov 01, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

👏👏👏👏👏

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Guest
Nov 01, 2023
Rated 5 out of 5 stars.

Sublime

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