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Poesia - As Águas de Piraputanga, por Sylvia Cesco


Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com a poeta e escritora de Campo Grande (MS), Sylvia Cesco, com As Águas de Piraputanga.


As Águas do Piraputanga

Sylvia Cesco


Reconhecerei suas águas

que atravessaram os tempos,

guardando os meus segredos

e os sagrados peixes

que viveram embaixo delas?


Estarão inda vestidas de transparente liquidez

por onde a gente enxergava e pressentia

a natureza inteira em estado de prenhez?


Era lá que eu mergulhava os meus pés pequenos

Quando ia com Elvira Mathias, minha tia,

ajudando-a a carregar uma bacia

cheia de roupas dos filhos, do marido

e também as dela:

-roupas sóbrias de professora-autoridade

na Colônia Velha de Terenos...

Hoje, minha tia virou nome de rua e de escola...


Se pelo menos houvesse ainda aquela bica d’água

e o velho monjolo embaixo da mangueira

já me daria por contente

e aliviaria da saudade a mágoa...


Mas o tempo que enruga nossa cara

também enruga a terra e a semente

que nela foi plantada:

-o gérmen de uma infância descuidada

florescida às margens de um pequeno rio,

que para mim inda é o maior do mundo,

maior que o Amazonas, que o Rio Aquidauana

e o Paraguai:

-o Rio Piraputanga, onde se afogaram

bem no fundo,

as estórias infantis da minha vida,

com suas ingênuas alegrias mas também

com os seus ais.

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