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Poesia - Amanhecer Pantaneiro, por Athayde Nery

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga, dia de poesia com o advogado, poeta e escritor sul-mato-grossense Athayde Nery, com seu "Amanhecer Pantaneiro".


Amanhecer Pantaneiro

Meu tempo de escolher momentos tem me chegado como andar em jardins floridos Esses dias estive no amanhecer do pantanal No meio do rio Paraguai Qui quié aquilo? Um vermelhão amarelado que vai tomando conta divagarinho e se derramando feito mel. Resplandecendo no peito do rio num espelho liquefeito Com nuvens de cor de temporal e ao mesmo tempo de acordar de céu Parece Deus acordando Tudo acontece num ajuntamento lento de perfeição corporal de luz e sentimento Não existe razão Não existe senão Só paixão pelo tempo que se esvai numa correnteza macia Numa imensidão vazia de vazios Tudo se encaixa O sol vai beijando o dia como se deve beijar o corpo de uma mulher Bem aos milímetros Com estremecimento Até que o gozo vire lua.

IN: O Livro dos acasos. Págs. 52, 53.

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Carlos Magno Mieres Amarilha
Carlos Magno Mieres Amarilha
23 de jun. de 2022

'Resplandecendo no peito do rio num espelho liquefeito' e beijar a mulher "bem aos milímetros com estremecimento'. Muito dez. uma poesia de tirar o chapéu.

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