• Alex Fraga

Poesia - A vida, até quando não, é cheia de graça, por Mirian Camacho

Sábado, dia de poesia no Blog do Alex Fraga, da cantora, compositora, poeta, professora de artes e dança, Mirian Camacho com seu poema: A vida, até quando não, é cheia de graça.

Olha essa mulher que atravessa a rua com pressa.

Percebe a aflição... Escuta o não que sem fala ela grita. Tomara que ela esqueça das horas, solte o cabelo e jogando o sapato pro alto deite na areia macia. Olha a criança que inventa histórias sozinha e quieta.

Percebe o olhar... Sente a tristeza que sai das mãos. Tomara que ela ganhe colo na história seguinte.

Que ganhe cor e abraço quente, feito comida na mesa. Olha o senhor esquecido no banco da praça. Percebe a solidão... Olha pro rosto que já não lembra. Tomara que a luz seja forte, que o caminho seja amigo e o que já foi lhe dê abrigo pra acalmar o tempo. Eita mundo sem jeito... Aperta o nó, evita o laço. Acerta o passo, esquece o cansaço... Vida deslizando na espera não percebe a voz que de longe implora. Quem sabe agora... Escuta... Dá a mão pra mulher! Protege o menino! Acarinha o senhor e olha pelo espelho do teu carro... Vê? Somos todos eles! Num momento ou outro somos uns e outros, vivendo a ciranda do tempo. Dá uma volta na chave, abre teu mundo, e... Ave... Ave toda gente em asas de Maria. Cabe muito entre uma volta e outra. Brinda em taça... A vida, até quando não, é cheia de graça.

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