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Poesia - A Colheira, por Paulo Portuga

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o músico, professor, poeta, escritor e compositor de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "A Colheita".

A COLHEITA


Foi farta a colheita

No pequeno pedaço de terra

Do amigo João Machado

Mas machado ele não usa não

Muito pelo contrário

Planta milho, batata, feijão

Mandioca, banana prata, quiabo,

Usa enxada, força e facão

Cercado por cidade, estrada, asfalto,

Cimento, carro e caminhão

Seu roçado é na reserva

Aldeia Bororó, Dourados

Sem gente apressada

Onde as ruas são de chão

De terra roxa batida

A mesma que afofada

Por golpes de enxada

Arado, suor e dedicação

Índios Kaiowás

Maioria parentes de João

Semeiam tudo com as mãos

Cana, coco, jaca, manga

Abacate manteiga

Que se pega com um varão

Alguém fica embaixo

Da grande árvore

Estica o braço pra não deixar

A fruta explodir no chão

Assim caminha o dia

Olhando a cor da flor

Com um bicho dentro

Olhando o céu e sua imensidão

Por onde voam tucanos, araras,

Papagaios e maritacas

Dizendo ao tempo:

- Vai chover bem no próximo verão!

Que o verde ventre das folhas

Encha a vagem de grãos

De cheiros, conversas, sabores

Quentes como o sol

Ardentes como a chicha

Bebida que se faz

Para manter a tradição

De seus antepassados

E orgulhosos do que são

Lutam por saúde, terra, trabalho

Aos nossos amigos originários

Muita gratidão!


Paulo Portuga, 29 de maio de 2023.

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