top of page

Poesia - A canoa de um tronco só, por Paulo Portuga

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 7 dias
  • 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta, professor, músico e compositor de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "A canoa de um tronco só"


A CANOA DE UM TRONCO SÓ


A canoa de um tronco só

Singra as águas do Taquari,

Desmanchando o reflexo da lua

Que se espelhava no rio.

A índia guató leva consigo

Amêndoas de acuri e ingá,

Uma erva mítica de cura,

Em direção a Corumbá.

Seus filhos e netos partiram

Ainda com pouca idade;

Moram em palafitas flutuantes

Na periferia da cidade.

O sol nasce por detrás da serra,

A paisagem, então, revelada,

Pinta o infinito horizonte

De rio e mar, céu e água.

O condutor zinga com força

Para atravessar a vegetação densa;

Camalotes descem sem pressa,

Atrasando um pouco a viagem.

Cortando a planície de água,

Pensando em seus descendentes,

Segura de si, acredita e confia

No poder de sua ancestralidade.

Conhece o ciclo das águas,

Qual corixo deve atravessar;

Avisa o amigo canoeiro,

Que sabe o caminho a tomar.

Vão contando histórias,

Memórias do povo da aldeia;

Uma cultura tradicional, isolada,

Cabe numa canoa inteira.

A velha índia guató sabe

Que a cidade não é o seu lugar;

Vai para curar a saudade,

Mas já vê a hora de voltar.


Paulo Portuga

07/07/2026

 
 
 

1 comentário

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Orlando Anivaldo de Lima
há 7 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Legal

Curtir
bottom of page