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Poema - Visagens, por Maranhão Viegas



Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o jornalista, escritor e poeta de Brasília (DF), Maranhão Viegas, com Visagens


Visagens


A casa é ampla.

Varanda enorme.

Pomar no quintal.

Vasto espaço na sala

e na cozinha.


A biblioteca guarda

o resultado de uma

vida inteira de leitura

e conhecimento.

Tanto que parte dos

livros, já sem espaço

nela, subiu para o

mesanino.


Lá em cima o silêncio

reina, longe da

confusão cotidiana da casa. É lá que ele

prefere passar as

horas roubadas das

obrigações. Solitude

criativa, desejo

inconfesso.


Há uma prateleira de

destilados e charutos

disfarçada de cabine

telefônica, bem ao

estilo inglês.


Há uma mesa

ao centro, onde

ficam espalhados

manuscritos de

crônicas inacabadas,

livros abertos,

envelopes de cartas,

pesos para papel,

lápis e canetas.


É dali que o

pensamento

criativo dele parte

para preencher em

definitivo o branco

dos papéis.


Dias desses, livrou-se

dos afazeres da casa

e subiu, sem chamar

atenção de ninguém,

certo de passar várias

horas em companhia

de livros e escritas.


Mas a ideia não

vingou. Não havia

nem quinze minutos

que estava lá em

cima, concentrado

em uma nova crônica,

quando foi tomado

por uma angústia

avassaladora.


Pela janela aberta

entrou um perfume

de flores. Não

de qualquer flor.

Era perfume de despedida. Desses

que se acentuam nos

velórios e cemitérios.


Olhou para um lado

e pra outro. Olhos

arregalados. Sentiu

um frio na espinha e

os pelos e eriçados.


Quá nada, siô!

Perfume de enterro

é mau agouro. É

prenúncio de notícia

ruim. Pensou com

seus botões. Eu é que

não fico aqui sozinho.


Desceu a escada num

zás! Desembarcando

de vez daquele

assombro perfumado.


Já no piso inferior da

casa, a salvo dos seus

fantasmas, tratou

de ocupar a mente e

as mãos com outros

afazeres.


Danou-se a cortar

cebolas para a salada

do almoço. Enquanto

planejava para o dia

seguinte uma nova

investida literária no mesanino. Que

fantasma nenhum

dura mais que um

assombro.


Para o meu pai Inocêncio de Jesus Viégas, seus medos e suas paixões._

Inorbel Maranhão Viegas

Em pleno voo

05/02/24

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2 Comments

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Guest
Feb 10
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Parabéns poeta por linda poesia

Maria de Lourdes da Costa

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Feb 10
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Linda

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