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Poema - Perfectibilidade, por Carlos Magno Amarilha

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
7 de ago.
2 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Campo Grande (MS), Carlos Magno Amarilha a, com Perfectibilidade.


PERFECTIBILIDADE


Na antevéspera da primavera

poema festa na cidade triste


afligir com poesia anarquista

distanciar-se do presente para parar


no mato amargo doce no gongo

o desejo do desejo desejando utopia


irresolução e ambivalência perplexa

espontaneísmo criador marcha o poeta


da energia ancestral liberadora liberada

ininterruptamente é espaço de resistência


perdida no tempo ressuscitando na temporada


A consciência da recusa não deve ser buscada

ideológica e abstratamente na quadra

de forma concreta e material...


inter-relacionamento o relacionando no meio

uma receita conceitual anárquica.


A ideia do acaso como motor da evolução


De Re Pe nTe !

a Cidade cresce com o Mercado

Com quedas de produção

Em momentos de superprodução.


Criam espaços do sonho, da embriaguez do nada...


Que dá de monte na terra vermelha

e busca a utopia entre o rio Paraguai/ na curva do Paraná.


Na alameda tropical de brejo e pantanal

num sonho de autogestão e amor alforriado


entre beijos e juventude balizado com rock e samba

bem estilo que embarca

e nubla as claras manhãs da teoria.


Ser interdisciplinar foge do coletivo

sucedâneo do arbítrio divino

alheamento no urbano

para tentar ser único.


caminho da perfectibilidade.

uma visão pluralista, onde não temos

a História e sim as histórias

com suas peculiaridades nacionais, culturais, étnicas.


da emoção, da fantasia e complexidade psicológica.

Poemático não apenas estético, mas também social.


imagética de vertigem a 360º


Uma função pedagógica de formação humanista humanitária

que reivindica para a arte uma função revolucionária

contra a racionalidade contábil da burguesia.


E a prática cultural libertária.


A impossibilidade da experiência compartilhada,

a desumanização determinada pelo maquinismo

abre as portas para a violência da violência


atemorizado pelas proporções não-humanas

da demonstração urbana de riqueza e poder


velocidade urbana que não permite o permanente

e questiona o olhar que se fixa num só ponto.


o poeta contrapõe o imprevisto

a literatura URBANA foge as noites do meio-dia.

signos do poema prometeico.

Faz silenciar as horas proibidas.



IN: AMARILHA, Carlos Magno. Prelo, 1997.

 
 
 

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