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Poema - A última cheia, por Cláudia Finotti

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 26 de jul.
  • 2 min de leitura

Domingo no Blog do Alex Fraga é dia de poema com a escritora e poeta de Campo Grande (MS0, Cláudia Finotti, com "A última cheia".


A ÚLTIMA CHEIA”*

Cláudia Finotti


Aguas barrentas

Levam camalotes em flor.

Crianças brincam

nos vagões da Noroeste

Enquanto Palafitas

Sustentam famílias inteiras...

Canoas carregadas de rapaduras,

Emborcam nas aguas escuras dos rios, perdendo toda a produção...

Tristeza se mistura na esperança

No canto noturno da mãe da lua

A lida no Pantanal

Se adapta aos humores das cheias.

Lamentos, força e coragem

margeiam esse rincao…

Cavalo malhado de casco mole,

Cachorro vadio de pelo duro,

Acompanham a comitiva noite e dia.

Ao som do berrante e dos chicotes

(Refrão)

Caminhando vou

pois “Lá é meu lugar",

Onde a cheia trouxe o menino Chico,

Embalado pela parteira Tatu

Para cantar as riquezas e mazelas

As cores e as dores

desse encharcado chão.

(Instrumental)

Na invernada,

Peão tocando o gado,

Apeia e descansa nos retiros

entre Miranda e Corumbá.

No Córrego Fundo

É nosso primeiro pouso.

Arroz carreteiro quente na panela.

Café quente e Mandióca amarela.

Tereré refresca a prosa,

com risos da peonada

Que lembram de casos de peleia

de carreiras e amores mal domados

Na noite, rede de couro, descansa o lombo,

Terra vermelha levanta do chão

Como figuras de assombração...

(Refrão)

Caminhando vou

pois “Lá é meu lugar",

Onde a Cheia trouxe o menino Chico,

Embalado pela parteira Tatu

Para cantar as riquezas e mazelas

As cores e as dores

desse encharcado chão.

(Instrumental)

Berrante de chifre longo, toca a boiada

Atravessando braço de rio e corixos

Gado branco, onça pintada, araras azuis

Destino bravio de aves migratórias

em alvoradas iluminadas.

Um dia perfeito de Peão

nos ritmos das aguas ...


Caminhando vou

pois “Lá é meu lugar",

Onde a Cheia trouxe o menino Chico,

Embalado pela parteira Tatu

Para cantar as riquezas e mazelas

As cores e as dores

desse encharcado chão.

Pasto sem fim

Céu pintado de estrelas,

Fauna e flora, pedem socorro

Aos "amigos desse verde"

que renasce na voz do ACABA.


Nas terras dos Guaicuru, Terena, Dos Guarani, Guató e Kadiwéus,

Grita alto a voz Pantaneira:

“Vem ver KANANCIUÊ

o que sobrou do seu povo...

Aiô Popê Tsê

Aiô Popê Tsê

Aiô Popê Tsê

Pê Pê Pê

Aiô Popê Tsê

Aiô Popê Tsê

Aiô Popê Tsê

Pê Pê Pê

Pê pê Pê

 
 
 

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