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Opinião - Noite Pantaneira reafirma a força e a identidade da música sul-mato-grossense

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
há 11 minutos
2 min de leitura

A música sul-mato-grossense é ímpar pela capacidade de reunir influências, tradições e sonoridades de diferentes povos. É uma música essencialmente sul-americana, resultado de uma mistura cultural que ultrapassa fronteiras e constrói uma identidade própria. No último sábado, no Espaço Jardim de Casa, um público privilegiado teve a oportunidade de experimentar de perto essa riqueza durante a Noite Pantaneira, um encontro que reafirmou a qualidade e a personalidade artística de uma produção musical que há décadas busca maior reconhecimento no cenário nacional.

É evidente que Mato Grosso do Sul possui artistas de projeção nacional, muitos deles reconhecidos individualmente. Mas a Noite Pantaneira apresentou algo que merece atenção especial: a força do conjunto, a diversidade de linguagens e a capacidade de diferentes trajetórias artísticas dialogarem em torno de uma mesma identidade cultural. Celito Espíndola, Carlos Colman, Pedro Espíndola, Gilson Espíndola, Marcela Mar, Marcelus Anderson e Gabriel Sater protagonizaram uma noite de encontros musicais, na qual a sensibilidade, a interpretação e a riqueza dos repertórios deram dimensão àquilo que o Estado tem de melhor em sua música.

A participação especial de Ana Paula Duarte, Guilherme Rondon e Paulo Simões ampliou ainda mais o significado do encontro. Não se tratou apenas de reunir nomes importantes da música regional em um mesmo palco, mas de demonstrar que existe uma produção consistente, plural e com identidade suficiente para ocupar espaços muito maiores. Uma música que transita entre a MPB, o chamamé, a polca, as raízes pantaneiras e as influências latino-americanas, sem perder sua personalidade.

E aqui cabe uma reflexão que não pode ser ignorada: por que uma produção artística dessa dimensão continua encontrando tantas dificuldades para conquistar circulação e visibilidade? Mato Grosso do Sul não precisa apenas reconhecer seus artistas em homenagens e eventos pontuais. Precisa criar políticas públicas permanentes de difusão, intercâmbio e valorização da própria produção cultural.

A Noite Pantaneira deveria ser muito mais do que uma apresentação especial. Poderia se transformar em um projeto cultural estruturado, com apoio do poder público estadual, percorrendo os municípios de Mato Grosso do Sul e levando essa música a outros Estados brasileiros. Seria uma oportunidade de apresentar ao País uma identidade sonora que não se limita ao Pantanal, mas incorpora a diversidade cultural de toda uma região de fronteira.

O que falta, portanto, não é qualidade artística, talento ou repertório. Falta compreender, por parte de quem formula e conduz as políticas culturais, que a música produzida em Mato Grosso do Sul é patrimônio, identidade e também um instrumento de projeção cultural. A Noite Pantaneira mostrou que essa riqueza existe. O desafio é fazer com que ela deixe de ser privilégio de poucos e passe a ocupar o espaço que merece.

 
 
 

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