top of page

Opinião - FESTOP e FELIT expõem a fragilidade da política cultural de Dourados

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
10 de ago.
2 min de leitura

Atualizado: 11 de ago.

Foto - Tatiana Varela/Punto Aureo - - -


Dourados não tem um problema de produção cultural. Tem um problema de gestão e prioridade política. A segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul reúne músicos, escritores, poetas, atores, atrizes, bailarinos e produtores com capacidade para sustentar uma cena cultural forte e permanente. O talento está presente. O que falta é uma política pública à altura dessa produção.

É nesse cenário que FESTOP (Festival de Todos os Povos) e FELIT (Feira de Literatura de Mato Grosso do Sul) deveriam ser tratados como projetos fundamentais para o município. Mais do que eventos no calendário, são iniciativas capazes de formar público, estimular a produção artística, aproximar a população da música, literatura, e das artes em geral, revelar novos talentos e criar memória cultural.

A FELIT, por exemplo, tem potencial para muito mais do que reunir escritores e leitores durante alguns dias. Uma feira literária pode formar leitores, aproximar escolas da literatura, estimular novos autores e colocar a produção regional em circulação. O FESTOP, por sua vez, pode funcionar como espaço de encontro, descoberta e valorização dos artistas, ampliando oportunidades para quem produz cultura na própria cidade. É um espaço essencial de encontro, descoberta e valorização dos artistas, amplia a circulação da produção local e cria oportunidades concretas para quem faz cultura em Dourados. Mais do que um festival, é uma ferramenta de fortalecimento da cena cultural da cidade e, por isso, deveria ser tratado como uma iniciativa estratégica de política pública. É justamente esse tipo de iniciativa que deveria receber continuidade, planejamento e prioridade institucional.

O problema é que Prefeitura e Governo do Estado ainda parecem apostar demais na lógica dos grandes eventos. Não há nada de errado em promover shows ou grandes programações. O equívoco está em transformar isso em sinônimo de política cultural.

Um palco cheio produz uma boa fotografia. Uma política cultural consistente produz resultados que podem durar décadas.

Formar leitores, manter festivais, apoiar artistas, estimular a produção local, criar espaços de circulação e aproximar cultura e educação exige muito mais do que anunciar uma programação. Exige planejamento e compromisso público.

Também é preciso superar a ideia de que Dourados precisa importar atrações para provar que possui cultura. A cidade tem artistas suficientes para construir uma programação relevante e, ao mesmo tempo, receber nomes de outras regiões. Valorizar a produção local não significa fechar portas; significa criar condições para que os artistas da cidade possam dialogar em igualdade com quem chega de fora.

Por isso, FESTOP e FELIT não deveriam ser vistos como despesas culturais, mas como investimentos na identidade e no futuro de Dourados. A pergunta que Prefeitura e Governo do Estado deveriam responder é simples: que política cultural querem construir para a cidade?

Uma cultura baseada apenas em eventos, atrações e resultados imediatos? Ou uma política capaz de formar público, fortalecer artistas e deixar um legado? Dourados já fez sua parte. Criou artistas, projetos e público.

Agora falta ao poder público fazer a sua: reconhecer, apoiar e transformar essa produção em uma política cultural permanente. Porque quando uma cidade culturalmente rica continua sem uma política à altura de seus criadores, o problema não está nos artistas. Está nas prioridades de quem governa.

 
 
 

4 comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Convidado:
11 de ago.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Falou tudo!

Marcelo Rodrigues

Dourados MS

Curtir

Convidado:
10 de ago.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Ouçam esse cara. Ele diz algo prático e leve. Não precisa fazer projetos mirabolantes. Use a criatividade e simplicidade.


Regi Asunción

Jardim MS

Curtir

Convidado:
10 de ago.

Mais uma paulada certa do Alex Fraga. Parabéns

Adriana Lourenço

Três Lagoas MS

Curtir

Convidado:
10 de ago.

É exatamente isso. Nós artistas de Dourados sofremos muito com falta de políticas culturais.

Curtir
bottom of page