Opinião - Entre vozes e harmonia, Sampri resgata a essência do bom samba


Noel Rosa já dizia: “Sambar é chorar de alegria, é sorrir de nostalgia dentro da melodia”. No último sábado, em minhas andanças por Campo Grande em busca de um samba que realmente mereça ser ouvido, fui ao bar e restaurante Confraria, na Rua Pontalina, 147, Vila Santo Eugênio, região do Universitário. O motivo era acompanhar mais uma apresentação do Sampri, trio formado por Renatinha, Magaly e Luciana.
Já havia conhecido o trabalho das três em outras ocasiões e sabia que encontraria qualidade musical. Mais uma vez, acertei em cheio. O Sampri apresenta um samba de personalidade, sustentado por afinação, equilíbrio vocal, domínio instrumental e sensibilidade interpretativa. O grande mérito está na integração das integrantes: não existe disputa por protagonismo, mas diálogo entre vozes e instrumentos, com respeito à dinâmica de cada composição.
Outro diferencial é a escolha do repertório. Mesmo diante de um público que geralmente procura sambas conhecidos, o trio não se prende às fórmulas convencionais. As releituras de “Pavão Misterioso”, de Ednardo, e “Saigon”, eternizada na voz de Emílio Santiago, revelam versatilidade e inteligência musical. São interpretações que exigem cuidado melódico e personalidade, sem perder a essência das obras.
Ao observar a cena musical de Campo Grande, é possível perceber diferentes propostas e maneiras de interpretar o samba e o pagode. Há grupos que apostam na animação, na intensidade sonora e na interação direta com o público, características que também fazem parte do ambiente dos bares. O problema surge quando o volume excessivo e a falta de equilíbrio entre vozes e instrumentos comprometem a interpretação. Afinal, energia não precisa significar exagero, assim como animação não deve deixar a qualidade musical em segundo plano.
O Sampri demonstra que existe espaço para outra abordagem. Renatinha, Magaly e Luciana valorizam a dinâmica, a afinação e a integração musical. Sabem que o samba também se constrói nas pausas, nas nuances e na interpretação. É essa consciência artística que torna o trabalho do trio tão interessante.
As três são artistas de grande potencial e merecem reconhecimento pelo cuidado com que tratam a música. O retorno ao Confraria neste sábado(31) é uma boa oportunidade para conhecer ou rever um trabalho que valoriza o samba em sua essência.
Vale a pena ouvir essas três mulheres que mostram que o samba não precisa de exageros para emocionar. Precisa de talento, identidade e respeito à música.





Alex Fraga sempre com olho clínico. Realmente Sampri merede
Paulo André
Corumbá MS
Elas são maravilhosas!
Liana de Sá
Campo Grande MS
Obrigada pelas belas palavras de incentivo e de como descreveu nossa postura, musicalidade, respeito ao público e profissionalismo, sem deixar de nos emocionarmos a cada canção que executamos.