• Alex Fraga

Opinião – Samba no MS: comodismo ou medo de compor?

É de refletir essa dificuldade dos grupos de samba e pagode no Mato Grosso do Sul em sua maioria, tocar apenas músicas dos grandes cantores brasileiros e agradar uma plateia que devido o próprio descaso dos músicos sul-mato-grossenses em não mostrar canções autorais, se prendem na mesmice. Como vejo essa relação com esse ritmo aqui no Estado? Talvez com um olhar e pensamento de que muita gente está servindo apenas de um simples “divulgador” dos grupos cariocas e paulistas e nada mais. É de contar nos dedos grupos e músicos que tocam composições próprias. Posso até relacionar alguns que sempre procuram entre uma e outra canção conhecida nacionalmente, colocam seus trabalhos autorais, como Tonico da Viola, Bethynho Sacode, Gideão Dias, Juci Ibanez, Marcos Roberto Bicudo (um dos melhores que já apareceu no MS), Negabi, Chokito, Bibi Carvaho (Do Cavaco), o próprio Zé Carlos (Escola de Samba Unidos da Vila Carvalho), Edson Contar, Edir Valu e outros poucos mais. Mas notoriamente podemos ver que todos esses citados já estão há anos mostrando seus trabalhos incansavelmente. Mas e essa geração considerada mais nova? Que eu saiba ninguém, a não ser Sampri, Gideão Dias (artistas que também não começaram recentemente), Negabi e Daran Junior e quem mais? Alias, esses quatro são realmente diferenciados. Mas posso escrever com todas as linhas: o que tem de “grupos de samba” de péssima qualidade em Mato Grosso do Sul se achando o máximo, é de chorar. O pior de tudo é que se consideram “bons” “tocando” (repassando) canções conhecidas, em sua maioria com mais de 30 anos compostas e de fácil lembrança do público. Muitos tocam por cachês pífios e até mesmo por cerveja e porções. Não há visão de profissionalismo. O que impera é o amadorismo barato. É uma maravilha sim ouvir músicas do Fundo de Quintal, ExaltaSamba, Jorge Aragão, Martinho da Vila, Eliane de Lima

Grupo Raça, Raça Negra, Molejo, Revelação, Katinguelê, e até mesmo o Atitude 67 (que começou por aqui, mas foi para fora buscar seu espaço e conseguiu). Ou seja, mesmo ruins, quando tocam, todos cantam e adoram. Assim esses “músicos” pensam que estão fazendo grande sucesso, no entanto, música autoral que é bom, absolutamente nada. É por isso que o samba no Mato Grosso do Sul só se destaca em época de carnaval ou mesmo quando há uma grande festa com feijoada. Aí vão dizer, não fazemos músicas autorais porque o público não assimila. Então pesquisem e cantem canções dos amigos compositores do MS. Divulguem, pois o nível é tão bom quanto os que fazem sucesso nacional e internacional. Há canções que são da música regional que podem ser transformada em samba. Essa ideia deu certo. Um exemplo claro é o Raça Negra que fez samba com “Vida Cigana” de Geraldo Espíndola e explodiu no país. Os órgãos governamentais não incluem o samba nos grandes projetos porque o samba não tem força. Poucos conseguiram tocar e mostrar seus trabalhos. Vão dizer que são discriminados. Não! Tudo porque existe comodismo. Acredito que se tivesse um projeto de samba autoral, com certeza agradaria o público. Mas é mais fácil tocar sucessos e ficar na quarta ou quinta divisão do samba (divisão amadora eu digo).Temos que valorizar o que é nosso. A beleza está dentro de nós e não somente de outros que nem ao menos conhecemos! Acordem sambistas!

0 visualização

© 2023 por O Artefato. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Instagram B&W