• Alex Fraga

Opinião – Quando o esquecimento é sinônimo de ingratidão!

Tenho notado ultimamente no decorrer dos anos que a “cultura do esquecimento” cada vez está imperando na cabeça de algumas pessoas que ainda insistem em querer “movimentar” o processo cultural no Mato Grosso do Sul. Um exemplo claro é que neste dia 26 de agosto, aniversário de 120 anos de Campo Grande, uma data que a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo poderia lembrar com um grande evento cultural, dos grandes artistas que sempre estiveram lutando pela arte na cidade. Poderia ter um grande show musical com exposições de artistas visuais, apresentações teatrais, poéticas e exposição de trabalhos dos artesãos. O que vimos?. Absolutamente nada! Descaso e desrespeito. Será que essas pessoas que “trabalham” nesse órgão sabem quem são e como vivem esses artistas? Não me venham dizer houve atividades nos bairros, pois o que ocorreu foi praticamente uma “doação” para alguns que estão tentando construir uma história em suas carreira (digo musicalmente). Mas nada foi feito e essa destruição cultural continua prosseguindo gradativamente. Os grandes nomes estão sendo deixados de lado.


Por que não agradecer Aurélio Miranda, Carlos Colman, Família Espíndola, Grupo Acaba, Delinha, Guilherme Rondon, Marcos Mendes e Maria Claudia, Paulo Gê, fotógrafo Roberto Higa, o cineasta Cândido Alberto da Fonseca, o Ballet Isadora Duncan que está há 45 anos mostrando sua arte, a turma do rock, como O Bando do Velho Jack, Haiwanna, Bêbados Habilidosos, Muchileiros que há anos são injustiçados nos eventos culturais, artesãos da Praça dos Imigrantes, o pessoal do Rap (esses são jogados de lado mesmo), artista visual como Isaac de Oliveira entre outros, os grandes sambistas como Tonico da Viola, Bibi do Cavaco (que alias trabalha para o órgão), carnavalescos, os poetas.... Mas não! Melhor não! O importante é fazer “projetinhos” e distribuir R$ 1 a R$ 2 mil para alguns que se sujeitam a ganhar essa quantia ( por necessidade). O importante é deixar artistas irem embora da cidade e procurar outros ares como ocorreram recentemente com Luis Henrique Ávila e Rod Rivers. Pior, as pessoas ainda pensam que Cultura é apenas fazer show musical e pronto. Deveriam sim ler um pouco mais sobre essa palavra. Nem vou tentar falar sobre preservação do Patrimônio Histórico, pois aí sim a "vaca vai para o brejo".


O esquecimento é sinônimo de ingratidão. Há grandes artistas em Campo Grande e todos com um pouco mais de conhecimento sabem. Mas não são lembrados. Nas escolas, alguns professores ainda se interessam em mostrar a arte sul-mato-grossense (mas são poucos que lutam e podem fazer isso sem interromper da grade curricular). Nas rádios apenas o singular Ciro de Oliveira tem a coragem de divulgar os músicos da terra, como o fez nessa semana mais amplamente e faz sempre. O que estamos vendo nos dias de hoje é um processo intenso da chamada cultura da decadência cultural na cidade. Os músicos, poetas, artistas visuais, artesãos, atrizes e atores estão cansados de tantas promessas e praticamente nenhum atitude concreta em valorizar a classe artística. O que se pode notar é que apenas alguns “privilegiados” participam de projetos (mesmo que pequenos) e sem nenhum fundamento. Quem sofre na realidade é a própria comunidade campo-grandense que não tem praticamente opção de lazer e cultura em seus bairros.


Campo Grande faz 120 anos e a arte entra em total depressão. Uma realidade crua e nua. A arte nesse dia de aniversário da cidade não tem nada o que comemorar. A arte está morrendo gradativamente e alguns continuam brincando de “fazer” cultura na Capital. Uma pena que nesses 120 anos não teremos nenhuma grande manifestação cultural. A cidade merece e principalmente a população. Pelo menos no que parece, o órgão cultural do governo do Estado está dando pequenos sinais de recuperação, mas o rombo financeiro deixado pelos que comandaram no passado, ainda é grande. Hoje 26 de agosto órgão municipal de cultura perdeu a grande oportunidade de acordar desse sono profundo. Valorizar a arte é algo sério e imprescindível para a sobrevivência de um povo. Fazer homenagem após falecimento gera comoção (algo que muitos que lidam com a Cultura gostam). Homenagem e valorização ao artista que serem feitas quando estão vivos e em atividades. Acordem e levem o trabalho deles muito mais a sério e com responsabilidade!


254 visualizações1 comentário

© 2023 por O Artefato. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Instagram B&W