• Alex Fraga

Opinião – Manoel virou passarinho há 5 anos e cai no esquecimento

“Quando o mundo abandonar o meu olho. Quando o meu olho furado de beleza for esquecido pelo mundo, Que hei de fazer”. Esse pequeno texto de poema de Manoel de Barros escrito em 2011, o poeta com certeza já estava prevendo o esquecimento de grande parte da população após sua passagem pela terra e virar passarinho. Pois é, Há exatamente 5 anos morria em Campo Grande (MS) aquele que foi um dos maiores poetas contemporâneos do mundo. O que mais nos deixa triste é que a data caiu no esquecimento para grande parte da imprensa que tem sim a responsabilidade de alertar o povo sobre a importância desse homem e suas palavras.


Não vou aqui criticar os órgãos governamentais do setor cultural, pois já era esperado e sei até que alguns funcionários que trabalham na Cultura jamais leram um livro do poeta. O que dói mesmo é o esquecimento. Em sua morte há 5 anos, parece que todos haviam descoberto Manoel de Barros. Foram notícias variadas, postagens, varal de poesias e “os cambau a quatro”. Passaram-se poucos meses, nada mais foi feito. Não há sequer um concurso de poesias com seu nome. Não há uma rua ou avenida se quer em homenagem ao poeta. Pura ingratidão!. Passado esses anos, o que restou foram os livros nas poucas livrarias da cidade. Alunos das escolas municipais e do Estado nem sabe em sua maioria quem é Manoel de Barros. Sim, a palavra está do presente porque ele vive na memória de quem valoriza o artista. Ainda bem que o artista Ique Woitschach após tantas brigas para colocar sua obra, conseguiu deixar na Avenida Afonso Pena (que alias deveria chamar Avenida Manoel de Barros) esse trabalho maravilhoso do poeta sentado em uma poltrona. Outro que não esqueceu foi o músico Marcio de Camillo com sua obra musical poética “Criandeiras”.


Mas ainda sinto na obrigação de postar para as pessoas que ainda não conhecem a história desse grande amigo e poeta que nos deixou no dia 13 de novembro de 2014. Ele nasceu em Cuiabá no dia 19 de Dezembro de 1916 e seu nome completo: Manoel Wenceslau Leite de Barros, Foi um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao pós-Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas europeias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade. Com 13 anos, ele se mudou para Campo Grande (MS), onde viveu pelo resto da sua vida. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis e foi membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Foi o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros. Sua obra mais conhecida é o "Livro sobre Nada" de 1996.


Seu primeiro livro não era de poesia, e teria se perdido em razão de uma confusão com a polícia. Quando vivia no Rio de Janeiro, aos 18 anos, tendo entrado para a Juventude Comunista, grafitou as palavras "Viva o Comunismo" em uma estátua. Quando a polícia foi buscá-lo na pensão onde morava, a dona do estabelecimento pediu para "não prender o menino, tão bom que até teria escrito um livro, chamado "Nossa Senhora de Minha Escuridão'". Tendo o policial que comandava a operação se sensibilizado, o poeta não foi preso, mas a polícia levou o seu livro. Embora a poesia tenha estado presente em sua vida desde os 13 anos de idade, teria escrito o primeiro poema somente aos 19 anos. Seu primeiro livro publicado foi "Poemas concebidos sem pecado" (1937), feito artesanalmente por amigos numa tiragem de 20 exemplares mais um, que ficou com ele.

Rompe com o Partido Comunista quando o seu líder, Luís Carlos Prestes, após 10 anos de prisão política durante o regime getulista, resolve declarar apoio ao presidente Getúlio Vargas, que já havia entregue sua esposa Olga Benário ao regime nazista da Alemanha, onde ela morreu.


Após sua decepção, viveu na Bolívia, no Peru e também, durante um ano, em Nova York onde fez um curso de cinema e pintura no Museu de Arte Moderna. Na década de 1960 voltou para Campo Grande, onde passou a viver como criador de gado, sem nunca deixar de trabalhar incansavelmente em seu ofício de poeta. Apesar de ter escrito muitos livros durante toda a sua vida e de ter ganho vários prêmios literários desde 1960, durante muito tempo sua obra ficou desconhecida do grande público. Possivelmente porque o poeta não frequentava os meios literários e editoriais e, deduzindo-se das palavras do poeta (ele diz "por orgulho"), por não bajular ninguém.


Seu trabalho começou a ser valorizado nacionalmente a partir da descoberta deste por parte de Millôr Fernandes, já na década de 1980. A partir daí, ganhou reconhecimento através de vários dos maiores prêmios literários do Brasil, como o Jabuti, em 1987, com "O guardador de águas". Foi considerado o maior ou um dos maiores poetas do Brasil, sendo um dos mais aclamado nos círculos literários do seu país. Seu trabalho tem sido publicado em Portugal, onde é um dos poetas contemporâneos brasileiros mais conhecidos, na Espanha e na França.



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