• Alex Fraga

Opinião – Elitização cultural é o grande problema no MS


A cultura elaborada no Mato Grosso do Sul não chega nas minorias. Isso é fato! Infelizmente as promessas são tantas e apenas alguns artistas são beneficiados com os ditos projetos culturais que todos sabem, não atingem a camada mais carente e necessitada. Parece que existe uma forma de excluir muitos e atender poucos. Por exemplo, a comunidade indígena com seu artesanato apenas é convidada quando há os dois festivais (Corumbá e Bonito) e nada mais. Este ano como não teve nada devido a pandemia, o vazio ficou e muitos desses artistas do artesanato das comunidades nem se quer conseguiram o “auxílio emergencial”, onde por sua vez, pessoas que nem necessitam, estão recebendo tranquilamente esse raro dinheiro. Artistas do interior do Estado em sua maioria reclamam constantemente de serem excluídos dos projetos e outros quando participam não recebem (como o caso no município de Dourados). A Cultura elaborada no Mato Grosso do Sul é vista apenas como musical. Isso é fato! Mesmo assim as turmas do Hip Hop, Rap, Samba, Rock e que faz o som undergroud são definitivamente esquecidas. O que existe é uma elitização na Cultura, o que é algo péssimo para todos. A Cultura elaborada no Mato Grosso do Sul não atinge os bairros da periferia. Ela limita-se nos poucos espaços culturais das cidades. Não atinge os colégios do governo e dos municípios. É uma realidade triste! A dança, por exemplo: qual o projeto elaborado pelos órgãos culturais que chegou na periferia? Nenhum. Nas artes visuais: qual o projeto elaborado pelos órgãos culturais que atingiu as minorias? Nenhum. No teatro: qual o projeto elaborado pelos órgãos culturais que beneficiou as pessoas mais necessitadas? Nenhum. Literatura: qual o projeto de lançamento de livros ou poesias elaborado pelos órgãos culturais que beneficiou uma comunidade periférica? E por aí vai. Existem sim ações individuais elaboradas por moradores da região, mas sem apoio governamental. Não venham dizer que estão fazendo agora através de concursos com a verba “Aldir Blanc”, pois isso é outra história e que posteriormente será contada. As pessoas têm que colocar na cabeça que produção de Cultura na periferia é uma forma de pacificar contexto violento. Ela tem a possibilidade de promover uma sobrevivência econômica; uma eventual participação política e também a emancipação humana. Será que é difícil entender que o acesso à Cultura eleva a autoestima dessas pessoas? Às vezes cansa de tanto cobrar algo que é simples. Mas como jornalista, não me calo (ainda). Até quando as promessas vão continuar? Até quando vão fazer algo para Cultura atingir todas as camadas sociais? É aquilo, como o próprio site Méliès Art sempre posta que é necessário estar junto com a Cultura do povo. Valorizar o que a elite gosta é até muito comum, mas é extremamente a reflexão sobre as culturas que são oprimidas e esquecidas enquanto outras são exaltadas e tidas como “melhores”.

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