• Alex Fraga

Opinião – Cultura necessita inovação e transformação neste “novo tempo”!


Penso que as políticas públicas culturais devem atingir uma maior pluralidade territorial e diversidade. No entanto, nesses anos todos o que se enxerga ainda (apesar de esforços de alguns), uma fragilidade na proteção das culturas populares, especificamente para vários grupos desfavorecidos e na periferia. O setor no Mato Grosso do Sul infelizmente sempre buscou favorecer a classe média e alta. Não há ainda um sentido estratégico e importante para democratizar e garantir a diversidade. Sempre favoreceu alguns artistas que vivem há anos dos projetos desses órgãos culturais. E de vários setores, principalmente da música e teatro. Nessa pandemia muitos dele estão dando graças a Deus, pois com a Lei Aldir Blanc ganham bem mais do que se estivessem mostrando algum trabalho esporádico. A “Live” facilitou ainda mais um grupo desses artistas que já até questionam se acontecerão os festivais de inverno. Atinge a população em geral? Não! O artesanato, que é muito forte não tem o apoio necessário. A literatura pior ainda, pois vivemos em um país aonde pouco se lê e assim se torna desinteressante. Alguns lutam com eventos anuais para atingir toda população. Exemplo maior é o feito pelos organizadores da Feira Literária de Bonito, que continuam com dificuldades levando a leitura para as camadas mais necessitadas, como principalmente alunos das escolas do município e Estado. A dança sempre teve a cara da elitização e infelizmente não tem um projeto concreto para atingir a considerada classe baixa. Descobrir novos talentos. As artes visuais seguem o mesmo caminho. Exposições em galerias que o povão tem medo até de passar em frente dos prédios. Não chegam nas camadas mais populares, a não ser algumas esporádicas em praças públicas como o da Confraria Sociartista. Sem falar daqueles que sempre lutam pela preservação do Patrimônio Histórico e são barrados, que segundo alguns políticos, o custo é alto demais. É simples: ajude e restaurar e preserve!. É extremamente triste. Sempre os “comandatários” enxergaram a Cultura aos avessos. As políticas públicas devem ser vistas como forma de tornar efetiva ao direito cultural. Será que é difícil entender isso? Com esse “novo tempo”, temos que repensar que existe uma necessidade urgente em promover novas formas de incentivo e ampliar o alcance dos programas culturais. A população continua carente de arte. Vejo esse ano os esforços da Sectur – Secretaria de Cultura e Turismo do Município, que mesmo com poucos recursos está cumprindo um papel de atingir as camadas populares e pagando em dia os artistas. É essa visão menos elitista que desejamos. A Fundação de Cultura do Estado, por sua vez, agora com novo dirigente está solucionando problemas pendentes e até mesmo outros de “comodismo” de colaboradores, gradativamente. Mas o “rombo” deixado por alguns de seus dirigentes, ainda é enorme. Mudar como? É necessário, de um jeito o de outro romper essas fragilidades do processo de democratização ao acesso do financiamento cultural e consolidar as instâncias de participação política, sem medo em cobrar o governador, prefeito, deputados e vereadores. Dar Cultura para a população em geral atrai muitos votos também, o que muitos políticos ainda não entenderam ou não foram avisados!. Sempre digo: “Cultura é a sobrevida de um povo”.


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