Microconto - Luizinho amém, por Athayde Nery
- Alex Fraga

- há 1 dia
- 1 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de microconto com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery. com Luizinho amém.
Luizinho amém.
Nasceu no meio da pobreza. Era um histórico fatídico de infortúnio programado. Casa de madeira com uma peça só. Mãe trabalhadeira, pai pinguço e violento. Cinco irmãos. Duas meninas e três meninos. Correção pelo mal feito na base do cinto e ponta pés. O pai era severo. Não roubar, não matar e cobiçar a mulher do outro. Trabalhar desde cedo. “Quem quer achar, acha o que fazer!” já dizia Seu Aristeu da Silva Xavier. Corrido dos canaviais por matar um outro mais aloprado, escondia essa façanha de todo mundo. Luizinho era o terceiro, depois de uma menina e um menino, vieram mais dois. Infância boa por causa da escola. Quadra de esportes e amigos para brincar e correr. Jogava um bolão. Mas uma entrada pesada de um zagueiro maldoso, comprometeu o craque Luizinho indelevelmente. Ficou manco. Ficou com apelido de “meio fio asfalto” que ele odiava. Por isso pegou. Largou escola, gostava de soltar pipa, com cerol. Era um dos melhores. O tempo passou. Pai sumiu na quiçaça, mãe trabalhadora. Um dos irmãos vira bombeiro. Luizinho entra pro tráfico. Sobe rápido na hierarquia. É caguetado. Fica preso três anos. Só a mãe vai visita-lo. Mãe tem moral e põe ele na Universal. Ele devia isso pra mãe.Passou a frequentar várias fogueiras santas. Emprego que é bom, nada. Sem qualificação. Arco dos milagres. Canticos decorados. Parou de beber na frente dos outros. Lia a bíblia e sabia falar bem. Virou pastor. Criou uma congregação. “A luz que salva.”





Comentários