• Alex Fraga

Live – Maria Claudia e Marcos Mendes: um “encantamento musical”


O escritor francês Marie Henri Beyle, mais conhecido como Stendhal Marie Henri Beyle, por volta de 1800 já dizia: “A boa música nunca se engana e vai direta buscar ao fundo da alma o desgosto que nunca devora”. É assim que acredito que as pessoas que puderam assistir a live da dupla Maria Claudia e Marcos Mendes na última segunda-feira (11), com a participação especial do percussionista e baterista Néio de Jesus. Curiosamente, mesmo acostumados com palcos, era a primeira vez que estavam fazendo um “show live”. Alguns problemas técnicos na transmissão não atrapalharam em nada a apresentação deles, principalmente porque musicalmente são verdadeiros “escândalos” da música do Mato Grosso do Sul. Maria Claudia mostrou mais uma vez que é a grande referência da voz feminina no Estado há décadas e continua melhor ainda. Marcos Mendes, é um músico, instrumentista de qualidade e um compositor de “mão cheia” onde “casou literalmente” com a cantora em todos os sentidos. Néio de Jesus complementou com muita qualidade musical o trabalho dos dois. A live teve iniciou com a canção “O Teu Olhar e o Meu”, música autoral de Maranhão Viegas e Marcos Mendes. Um trabalho lindo onde se destacou a sonorização da bela viola tocada, que segundo o artista foi feita por um dos ícones da música mineira, Zé Coco do Riachão. Outra autoral de Marcos Mendes, “Quando Você Passa Por Mim”, deu a sequencia e a tranquilidade para as novas canções que vieram em seguida. A dupla mostrou que live nada mais é do que uma união musical com seguidores e com muita interação. Os dois foram enfáticos em comentar sobre a saudade de tocar para as pessoas, da necessidade de ajudar e principalmente os cuidados que todos devem ter nessa pandemia, usando assim máscaras e saindo somente quando necessário. A sequencia musical foi mais do que especial com trabalho de muita qualidade, como “Minha Missão”, de Paulo Cesar Pinheiro e João Nogueira; “Baião da Penha”, de Luiz Gonzaga; a bela “O Sal da Terra”, de Beto Guedes, seguida de “Amanhã”, de Beto Guedes. Em seguida, Maria Claudia, Marcos e Néio animaram a “festa virtual”, com “Tempos Modernos”, de Lulu Santos (música de 1982), “Anda com fé”, de Gilberto Gil. Voltaram com outra autoral, “Coisas do Olhar”, de Maria Claudia e Marcos Mendes, que deu nome de um dos discos da dupla. Uma homenagem especial foi feita para todos os trabalhadores do setor da saúde, mostrando a linda canção e adequada para esse tempo sombrio, com “Cuide-se Bem”, de Guilherme Arantes. O samba esteve presente na apresentação com “Juízo Final” de Nelson Cavaquinho e que foi muito sucesso na voz de Clara Nunes; “O Que o Amor”, de Arlindo Cruz (aliás um dos sambas mais lindos que conheço) e que na voz de Maria Claudia com certeza fez brilhar os olhos de todos. “Conselho”, de Almir Guineto foi outra que para quem gosta de um bom samba é algo obrigatório de se ouvir. A dupla não se esqueceu de homenagear Aldir Blanc (falecido recentemente), com a canção “O Ronco da Cuíca”, em parceria com João Bosco. “O que é, o que é”, de Gonzaguinha deu aquele toque a mais. Após a canção, houve uma interrupção, devido falhas na transmissão, mas que imediatamente Maria Claudia que estava tranquila, “puxou” com Néio de Jesus, “As Forças da Natureza”, de Clara Nunes e simplesmente “arrasou” com sua voz. O retorno normal da transmissão, Marcos Mendes fez outra homenagem a Luiz Gonzaga e Xerém, com um xote de sua autoria. Falou da disputa de historiadores de quem realmente foi o criador desse ritmo tão amado pelos brasileiros, principalmente os nordestinos. Mas sabe-se que a disputa oficial pelo primeiro forró lançado tem dois protagonistas; Forró na roça, de 1937, canção do cearense Xerém e Manoel Queiroz, está em um disco de cera do acervo do pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo e é defendida como pioneira pela Associação Cearense do Forró. Forró de Mané Vito, de 1950, composta por Luiz Gonzaga e Zé Dantas, é sustentada pela Sociedade dos Forrozeiros Pé-de-serra. Mas isso é outra história!. Maria Claudia e Marcos Mendes encerraram a live com a tão bela “Chão de Giz”, de Zé Ramalho. Assistir Maria Claudia e Marcos Mendes é ter um conceito especial de ouvir música de qualidade. Uma nova live está prevista e com certeza aguardaremos ansiosamente! Foi lindo!

57 visualizações

© 2023 por O Artefato. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Instagram B&W