Festival da Juventude - Joel Pizzini e Shirley Cruz ministram oficinas de atuação e roteiro
- Alex Fraga

- há 2 dias
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*** Aline Lira e Lucas Arruda*** - - - -
Entre palavras, câmeras e personagens, o Festival da Juventude 2026 também será um território de formação artística. A segunda edição do evento, que acontece entre os dias 26 e 28 de março na Cidade Universitária da UFMS, em Campo Grande, reúne oficinas conduzidas por nomes importantes do audiovisual brasileiro, como a atriz Shirley Cruz e o cineasta sul-mato-grossense Joel Pizzini.
Com trajetórias consolidadas no cinema e na televisão, ambos chegam ao festival para compartilhar experiências acumuladas em décadas de trabalho e pesquisa sobre a linguagem audiovisual. Para Febraro de Oliveira, produtor e curador do festival, as oficinas são parte fundamental da proposta do evento. “As oficinas transformam o festival de palco em laboratório. Enquanto os shows e apresentações oferecem inspiração e visibilidade, as oficinas oferecem processo e aprofundamento. Elas deslocam o jovem da posição de espectador para a de criador”.
As inscrições são gratuitas e abertas a todo o público interessado através do site https://festjuv.com.br/2026/.
Experiência de quem vive o cinema - A atriz Shirley Cruz conduz a oficina “Em Cena, a Ação”, dedicada à interpretação para cinema e televisão. Com mais de 25 anos de carreira, ela iniciou sua trajetória no cinema com o filme “Cidade de Deus”, obra que marcou o audiovisual brasileiro e abriu caminho para uma série de trabalhos em produções nacionais e internacionais.
Ao longo da carreira, Shirley participou de mais de 40 produções entre filmes e séries, com destaque para “Filhos do Carnaval”, da HBO, a novela “Bom Sucesso”, da TV Globo, e mais recentemente a série “Cidade de Deus: A Luta Não Para”, além de protagonizar os filmes “O Clube das Mulheres de Negócios” e “A Melhor Mãe do Mundo”, dirigidos por Anna Muylaert, exibidos e premiados em festivais como Gramado e Berlim.
Na oficina, a atriz compartilha a experiência acumulada em sets de filmagem, testes e processos de criação.

“A vivência potencializa o meu conhecimento. Em vinte e cinco anos de carreira passando por projetos importantíssimos, eu já tive centenas de oportunidades de experimentar aquilo que eu ensino. Eu não suponho, eu vivi e isso faz toda diferença na mentoria”, comenta. Shirley também destaca a importância de compreender o cinema como uma construção coletiva. “É muito importante o ator ter um entendimento mínimo sobre alguns departamentos e um conhecimento maior em outros, para que o seu trabalho seja realizado com toda potência. O ator é o resultado final de tudo que foi planejado e trabalhado antes de chegar ao set de filmagem”.
Mais do que ensinar técnicas de interpretação, a atriz afirma que busca provocar confiança e perspectiva entre os participantes. “Mais do que inspirar, o que já é fantástico - porque sonhar é fundamental - é aproximar esses jovens dos seus sonhos para que materializem. E se eu for pensar no recorte de gênero e raça, é muito importante que eles vejam que é possível chegar onde quisermos. Minha carreira não é uma história contada, ela é uma realidade”, ressalta.
O roteiro como rota criativa - Outro destaque da programação formativa é a oficina de roteiro cinematográfico conduzida pelo cineasta sul-mato-grossense Joel Pizzini, um dos nomes mais reconhecidos do cinema ensaístico brasileiro.
Autor de filmes premiados como “Caramujo-Flor”, inspirado na obra do poeta Manoel de Barros, “Enigma de um Dia”, “Glauces” e “500 Almas”, Pizzini construiu uma trajetória marcada pela experimentação estética e pelo diálogo entre cinema, literatura e artes visuais. Seus trabalhos foram exibidos em festivais internacionais como Veneza, Brasília e Mar del Plata.
Na oficina, o diretor propõe discutir o roteiro como ponto de partida para a criação cinematográfica. “O roteiro é uma rota, um manual de sobrevivência na selva criativa. Ele oferece pistas, caminhos, mas não pode ser uma obra fechada. Precisa ser aberto, lacunar, para que o filme se transforme durante o processo”, aponta.
Para ele, escrever cinema exige diálogo constante com outras linguagens artísticas. “O cinema é conhecido como a arte das artes. Ele dialoga com a pintura, com o teatro, com a literatura. O autor precisa se impregnar dessas referências para encontrar a sua própria voz”.
Pizzini também destaca que o grande desafio da criação está no equilíbrio entre forma e conteúdo. “A simplicidade é sempre um ponto de chegada, nunca de partida. Para alcançá-la é preciso rigor, pesquisa e um olhar atento para dentro e para fora do mundo”.
*** São jornalistas





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