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Entrevista - Odon Nacasato: "O artista precisa se profissionalizar!".

Há mais de 35 anos trabalhando com a música, o produtor, compositor e músico campo-grandense Odon Nacasato é o entrevistado no Blog do Alex Fraga desta quarta-feira. Um dos pioneiros no que se refere a estúdio musical, ele fala sobre o início de sua carreira desde os festivais, a política governamental de cultura e também seus projetos futuros para esse 2023.

Blog do Alex Fraga - O artista Odon Nacasato tem uma história na Cultura do MS. Conta um pouco como se interessou na música e um pouco de sua trajetória, desde os festivais...


Odon Nacasato - Antes de mais nada, queria agradecer a você Alex, por esse espaço nesse importante Blog, um dos baluartes da nossa Cultura. Comecei como muitos, participando de festivais estudantis, o FIC (Festival Interno do Curso Objetivo), em 1979. Bom lembrar, que ainda eram tempos de ditadura militar e minha composição já fazia críticas ao governo do Presidente João Figueiredo, por isso, foi submetida à censura federal, mas usávamos muitas metáforas para driblar o regime. Neste festival fomos classificados para representar Campo Grande no Ginásio Ibirapuera em SP, interessante lembrar que o amigo e músico "chamamezeiro" Marlon Maciel me acompanhou como tecladista na execução da música. Nesse evento, para nossa surpresa, quem fez o show de encerramento foram os Novos Baianos, que iniciavam suas carreiras, só por isso já valeu o “ingresso”. Na sequência vieram vários festivais estudantis, sacros e de música popular, dentre eles o da Missão Salesiana “Jovens Sonhadores”, que tive a oportunidade de ganhar com a música Vozes e fazer a minha primeira gravação nos estúdios das Edições Paulinas em São Paulo, música esta, requisitada pela editora, para ser o carro chefe do repertório de um cantor que estavam lançando na América Latina. Em 1986, gravei em Curitiba com o Grupo Vozes o LP –Vozes, com 12 canções inéditas. Em seguida, no ano de 1988, monto o primeiro estúdio profissional do MS, o Estúdio Vozes. Quero agradecer aqui aos amigos Lúcio Val (in memoriam), Tom Atagiba e Luiz Abdala (in memoriam), que fizeram parte dessa história inicial do estúdio.


Blog do Alex Fraga – Você faz parte de uma geração onde a música autoral sul-mato-grossense era primordial para entrar no grupo seleto de artistas. Por que não se compõem mais nesses últimos anos? Qual seria a razão dos artistas considerados “novos” só surgem cantando cover...


Odon Nacasato - Excelente pergunta. Nessa época, não era incomum nos reunirmos nos ensaios de final de semana pra cantar e compor. Era a música sendo exercida em sua plenitude. Tudo isso por influência de grupos, como: Therra, Acaba, Terra Branca, Tetê e o Lírio Selvagem, dentre outros. Nessa época, ainda não havia acontecido o 1º Fessul e nomes como, Paulo Simões, Alzira, Geraldo e Celito Espíndola, Carlos Colman, Iso Fischer, José Boa Ventura, João Fígar, Guilherme Rondon, Geraldo Roca e Almir Sater, já tinham um belo trabalho autoral. Após a realização do 1º Fessul, fomentou-se ainda mais a produção da música autoral. Hoje, com o advento das redes sociais, muitos artistas transitam pela música cover, isso pela forte influência das músicas cantadas em inglês, que é uma língua muito sedutora.


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Blog do Alex Fraga – Já produziu inúmeros artistas do Estado e fora dele, ainda continua trabalhando intensamente no seu estúdio? Há gente nova surgindo ?


Odon Nacasato - Sim, profissionalmente me direcionei para o segmento da produção musical. Com o Estúdio Vozes, tive a oportunidade de gravar ou produzir artistas que vieram a despontar no cenário nacional, como Luan Santana, Grupo Tradição, dentre muitos, e também atendi o exigente mercado publicitário, fazendo parcerias com importantes agências do nosso estado, como a Remat, Slogan, Art-Traço, Auto-Retrato, entre outras. No início dos anos 90, fui o mentor do Projeto Matogrosso do Som (mapeamento musical da música sul-mato-grossense), projeto que contou com a participação importante do Moacir Lacerda, que fez uma brilhante direção executiva. Esse projeto vem registrar digitalmente pela primeira vez o Hino do nosso estado, assim como, as belas canções autorais do nosso celeiro de artistas que faziam parte dessa explosão musical. Na sequência produzimos importantes projetos como o Mercosul I e II e o Show da Virada da TV Morena 1999/2000. Posteriormente gravei dois álbuns autorais, CD-Fragmentos e CD-João Fígar com Odon Nacasato, e recentemente os 50 anos do Grupo Acaba – antologia musical, Nascentes, Rios e Vertentes. Para 2023, teremos novidades, um CD de Rock autoral e uma nova intérprete que está selecionando seu repertório.


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Blog do Alex Fraga – Como vê a politica empregada pelos órgãos culturais em Mato Grosso do Sul – tanto no Estado como no município?


Odon Nacasato - A política cultural, no meu ponto de vista, começa com o governo do Dr. Wilson Barbosa Martins, que lançou os Festivais do Mercosul e diversas ações culturais em diferente setores. Pedro Pedrossian foi um excelente governador, com grandes obras realizadas, mas fez muito pouco pela nossa cultura, guardada sua devida proporção. Na sequência, Zeca fez uma grande gestação, lançou o Fundo de Investimento cultural, que proporcionou a uma grande parcela da classe musical a gravar o seu primeiro CD, incrementou os festivais do Mercosul, passando a ser chamado de Festival América do Sul, passando a ser realizado em Corumbá, criou o Festival de Inverno de Bonito e o projeto Temporadas Populares, trazendo grandes artistas do cenário nacional. Os governos do Puccinelli e do Azambuja, vieram no vácuo das políticas anteriores, mantendo os fundos de investimentos culturais e festivais, porém com discretos reajustes orçamentários, sem grandes surpresas.

A política cultural nos municípios, também tem sido refém dos diminutos orçamentos e editais, cada uma com sua política que lhe é peculiar, com alguns alcaides até boicotando algumas edições.



Blog do Alex Fraga – Os ditos editais são muitos burocráticos ou a maioria dos artistas que reclama ainda não atingiram o profissionalismo empresarial ?


Odon Nacasato - A sua pergunta é pertinente. O artista precisa se profissionalizar. Temos excelentes artistas em potencial, mas amadores na condução de suas carreiras. Por outro lado, os órgãos competentes, poderiam investir mais na formação de produtores culturais, pois realmente não é fácil atender as todas as exigências, o que desanima os artistas a participarem desses editais. Não é interpretando ao pé da letra que se faz cultura.


Blog do Alex Fraga – Para esse ano de 2023, o que se pode esperar do artista Odon Nacasato? Quais seus planos? Projetos ? Lançamentos ?


Odon Nacasato - O ano 2023 em muito promete. Estamos em um ano pós pandemia e muitos projetos vão sair do forno. Temos os 35 anos que vamos comemorar do Grupo e Estúdio Vozes e muita música e poesias a serem lançadas. Com a construção da ponte Brasil-Paraguai em Porto Murtinho que irá interligar o Brasil com o pacífico, através da Rota Bioceânica e com isso levaremos a nossa cultura a esses importantes países que a perfazem, estreitando ainda mais nossos laços e influências musicais.






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hedatila
Jan 11, 2023

Odon Nakasatu, carro chefe de todos nós !

Um músico ímpar, produtor renomado, profissional da maior grandeza e compositor de tamanha leveza, sutilidade, romantismo e pureza ao transmitir, sensibilidade a flor da pele e acima de tudo humilde.

Eu e a Hero temos muita honra em participar do grupo de amigos chegados da Denise e Odon.

Abraços Jothabe e

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