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Entrevista - Gessy Paes: "Minhas influências vão de Aretha Franklin à Elis Regina!".

Há pelo menos mais de 10 anos nunca havia surgido uma nova voz na música feminina no Mato Grosso do Sul com tanta potencialidade, profissionalismo e com um repertório irretocável. Influenciada pelas damas do blues e soul, mas também de brasileiras do primeiro time da MPB, Gessy Paes após alguns anos cantando com a banda The Rivho Trio, parte para trabalho solo e com perspectivas neste ano de lançar seu primeiro CD. Ao Blog do Alex Fraga ela fala dos sonhos, da sua vida e a carreira que seguirá daqui para frente com novos projetos. (Fotos: Layne Paes)


Blog do Alex Fraga - Gessy, você foi destaque em um programa de TV nacionalmente. Como foi essa experiência de estar concorrendo com outras grandes vozes do país ? O que acha que faltou para chegar na grande final?

Gessy Paes - Foi simplesmente maravilhoso, a emoção que senti no primeiro dia de gravação quando saí do palco com 5 estrelas e belas críticas já foram pra mim um troféu. No dia seguinte ainda soube que estava grávida, foram dois grandes prêmios ou seja nunca vou esquecer estes dias literalmente. É difícil dizer o que faltou. A apresentação em si foi muito boa, embora eu já estivesse cansada, passei e repassei "Cry Baby" mais ou menos umas 8 vezes. Fui muito aplaudida pelo público. A reação foi gigante, a votação final era do auditório. Muitas pessoas votaram pelo emocional acredito por conta de uma história triste contada pelo último candidato e isso às vezes conta um pouco mais que o talento

Blog do Alex Fraga - Nesse período de pandemia total, praticamente dois anos sem estar em palco. Essa paralisação deu para pensar em finalmente uma carreira solo ou continuará com a banda?

Gessy Paes - A princípio não. Estávamos mais focados na gravação do CD da banda, mas a Gessy & The Rhivo Trio acabou infelizmente. Digo infelizmente porque amei muito essa banda. Tenho um carinho enorme por cada um que participou, claro que em meio esse período horrível que passamos cada um foi obrigado a fazer alguma coisa pra sobreviver. Então foi ficando complicado os ensaios, eu com uma criança pequena ainda aprendendo a ser mãe também, me deixou bastante tempo esgotada. Com o término da banda eu pensei continuar sendo a Gessy Paes e quero seguir cantando. O guitarrista, o Gaspa, topou seguir comigo. Fiquei super feliz e conversei com mais dois amigos que amo demais, que também toparam a ideia (Thiago Além e Miguelito). Aí surgiu a ideia de um CD solo, com meu nome apenas, porque ficaria difícil colocar todos que quero que participem deste CD.

Blog do Alex Fraga - Sabe-se que está trabalhando para lançar seu primeiro CD solo. É um trabalho autoral ou terá regravações de artistas da terra? Como está sendo essa produção?

Gessy Paes - É um trabalho autoral, mas com regravações de muitos artistas da terra. Sim, quero muito homenagear nomes que marcaram nossa história e o legal é que muitos dos homenageados não são do estilo rock ou blues. Dentro deste repertório tem um grande nome de alguém que partiu, mas com certeza será lembrado pra sempre como o sanfoneiro Dino Rocha, e quem vai participar na gravação da música escolhida é filho dele, o querido Maninho Rocha. Com certeza a emoção vai fluir muito nesta canção. Outro grande nome que quero que receba uma linda homenagem onde estiver, é nosso querido Zé Pretim, que deixa saudades.

Blog do Alex Fraga - Qual a dificuldade hoje enfrentada para os artistas regionais terem um espaço a nível nacional. Falta o que?

Gessy Paes - É triste ver que o que mais falta são investimentos e valorização nos artistas. Esses programas de TV em sua grande maioria, é o próprio artista que tem que arcar com passagens, hospedagem e alimentação. São investimentos do bolso que muitos artistas não têm condições de fazer. É difícil conseguir um patrocínio, e é triste os valores de cachês que os bares oferecem. Pode ser muito pra quem paga, mas pouco pra quem recebe, e quem luta por um valor melhor, acaba não sendo chamado

Blog do Alex Fraga - Poderia citar suas influências musicais, principalmente vozes femininas. Outra coisa, no Mato Grosso do Sul poderia citar algumas cantoras que gosta bastante e que deveriam ser mais divulgadas nacionalmente.

Gessy Paes - Não é novidade que minhas influências contam com Etta James, Janis Joplin, Nina Simone e claro que não pode faltar Aretha Franklin. Brasileira é Elis Regina, uma artista sem igual pra mim, essas são minhas influências. Aqui em Campo Grande , no Mato Grosso do Sul, temos cantoras fantásticas de vários estilos que acho que deveriam já fazer parte do cenário nacional. Erika Espíndola é uma delas que ao meu ver já deveria ter estourado nacionalmente. Nossa gigante do samba, Juci Ibanez. Essa mulher é demais e também do sertanejo a dupla Patrícia e Adriana. São duas cantoras maravilhosas. Perdemos recentemente nossa querida Delinha que foi a mais querida Dama do Rasqueado. Teve lindas homenagens agora após sua partida, mas me questiono do porquê não a valorizam mais no território nacional enquanto estava bem? Aqui tem muitas cantoras excepcionais: Jane Jane, Marta Cel, minha irmã Layne Paes e tantas outras. Peço às pessoas do nosso Mato Grosso do Sul que deem mais valor aos nossos artistas, porque o que mais se escuta por aqui é que se alguém quer fazer sucesso, tem que sair daqui. Que isso mude, que comecem o sucesso aqui.


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