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Entrevista - Aurélio Miranda: "Hoje a gurizada imita cantoria e a chama de universitário!"

Referência na música de raiz, violeiro fala de suas andanças, cultura e nossos ritmos!

Violeiro, cantor e compositor premiado em vários festivais e que começou ser conhecido justamente com canções autorais vencedoras: “Estrada de Chão” é a mais famosa, no entanto há outras como, “Espuma da Cerveja” e “Proibidos de Amar”. Nascido em Mato Grosso, no município de Poxoréu (sempre enaltece sua terra natal), o artista que reside há muito tempo em Campo Grande é muito respeitado por outros de estilos diferentes, mesmo os que cantam MPB, samba ou rock. Aurélio Miranda em entrevista exclusiva ao Blog do Alex Fraga fala sobre suas andanças, música raíz, sucessos imediatistas de alguns cantores "sertanejos univesitário" entre outros assuntos de nossa Cultura.



Blog do Alex Fraga - Você é um violeiro, compositor e cantor da verdadeira música sertaneja de raíz. Como vê essa geração chamada "universitária" ? Acredita que esse gênero perdeu toda a essência do sertanejo ?


Aurélio Miranda - Na verdade iniciei nas cantigas raízes, época dos anos 70. Depois fui seguindo os sucessos atuais, na música autêntica sertaneja, mas toquei muito em bares, MPB, nos cabarés da vida, músicas de boêmia. Sempre fui apaixonado pelas músicas considerada de raíz, que tem a verdade o tema social, das origens brasileiras que descrevem o sertão, o caboclo, grandes guerreiros na lida da roça, lavouras, peões na lida do campo, na doma na labuta com o gado, que hoje desfila em lembranças dos nossos ancestrais! O chamamé que podemos chamar de sertanejos, que seria o nosso antigo rasqueado! Universitário é talvez uma inovação. Atualmente, uma jovem guarda, com ritmos pesquisados para a juventude dançar , arroja, balanço, etc...


Blog do Alex Fraga - Em uma entrevista, Luan Santana disse que muitos artistas com sucesso hoje (na música sertaneja) não conhecem as músicas da história do sertanejo que os trouxeram aos palcos. Qual sua opinião sobre esses sucessos imediatistas ?


Aurélio Miranda - Luan tá certo! A garotada atualmente vai no que vende. No meu tempo 67, 68, nós éramos dupla violão e uma viola cantoria. Assim éramos alvo de gozações, da elite. Na certeza, muita gente que faz o "som universitário" atualmente, nem sabe o ritmo da moda de viola, cateretê, cururú, pagode, corrido, batidão, querumana... Acho que o som sertanejo é Tião Carreirro, Milionário & Zé Rico, Felipe e Falcâo, Chitãozinho e Xororó, Rick e Renner e tantos outros. Hoje a gurizada imita a cantoria e a chama de universitário!


Blog do Alex Fraga - Em seus shows para o interior de vários lugares do país, o público quer ouvir exatamente o que? Ainda existe espaço para as modas antigas ou preferem outros estilos como chamamés, universitário etc...


Aurélio Miranda - Com certeza modão, pagode, músicas apaixonadas e solos de viola é o que rola. Na verdade a música universitária só tira o grito da plateia quando eles cantam modão! O povão vem abaixo. O bolero estilo latino também é sucesso. As nossas músicas regionais que eu gosto e canto muito também chocalha a galera!

Blog do Alex Fraga - Nos eventos governamentais não se vê muito cantores e violeiros na programação. Por que isso ? Como reverter ?


Aurélio Miranda - Na verdade, se tratando de governo, até então, prefere os contratos com artistas "afamados", de outras áreas e estilos, com os preços que favoreçam também aos cofres públicos. Artistas da terra, os órgãos públicos pagam pouco mesmo - assim procede a barganha. Hoje se tratando de duplas, medalhões são caríssimos, que têm empresários com outras programações. Isto é, os contratantes sabem que os astros sertanejos no custo de R$ 1 milhão, a bilheteria é lucro no mínimo R$ 800 mil. Preferem dar porcentagem aos promotores. É assim que funciona!


Blog do Alex Fraga - A novela Pantanal deu muita visibilidade com músicas de vários compositores do Estado, como Guilherme Rondon, Delinha, Almir Sater, Paulo Simões, Gabriel entre outros. Acha que poderiam explorar mais a música sul-mato-grossense ?


Aurélio Miranda - Em primeiro plano vejo que novela "Pantanal" detalha para o universo fielmente a vida das gerações de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na sobrevivência cotidiana, entre rios, cheias, secas, matas animais domésticos e bichos ferozes... num colorido especial, que o trabalho artístico explora e nos deixa um legado de grande valia ao mundo universal e fomenta a curiosidade em todos os seres humanos, em conhecer de perto o nosso santuário sagrado. Quero prestigiar pessoalmente sempre e agradecer a direção, diretores, produtores e artistas da grande novela "Pantanal" pelas músicas regionais compostas por nossos poetas, cantores e compositores da nossa terra, que promovem a alegria e sentimentos aos fãs e seguidores ao decorrer da ação. Não é necessário citar nomes, todos os conhecem. Os artistas têm que ter gratidão pela oportunidade.


Blog do Alex Fraga - Para finalizar, diga seus planos musicais... Há algum lançamento em vista? E os shows, por onde está fazendo? Suas composições novas...


Aurélio Miranda - Não. Há muito tempo que venho compondo e cantando, músicas sertanejas com harmonias completas... Ando fazendo shows e minhas músicas têm a parceria da viola, um parceiro na cantoria e mais três músicos. Meu repertório, eu incluo grandes compositores do nosso Mato Grosso do Sul, sendo 50% autoral. O show normalmente é de 1 hora e 30 min ou até mesmo 2 horas. As letras sempre com temas sociais, ritmos de violas e chamamés regionais, ponteados latinos na viola. Quando em dupla, faço modão que os medalhões fazem. Abraço e gratidão pela oportunidade de falar para o Blog do Alex Fraga.

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