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Disco - Guilherme Rondon lança "Cadê? Cadê...

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 28 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Um dos principais músicos de Mato Grosso do Sul, Guilherme Rondon lançou ontem (27), o seu novo trabalho intitulado "Cadê? Cadê..., já disponível em todas as plataformas digitais. Um trabalho que o próprio artista diz que não tem nada a ver com o trabalho regional, voltado ao Pantanal que muitos ouviram, e sim uma outra linha e que mostra sua versatilidade e seu gosto pessoal.


Alguns discos chegam como um acontecimento. Outros, como uma revelação serena — e, por isso mesmo, arrebatadora. “Cadê? Cadê…”, novo álbum de Guilherme Rondon, é desses que não apenas se ouvem, mas se atravessam. Em suas 10 faixas inéditas, o artista constrói uma delicada travessia emocional, onde memória, ausência e esperança caminham lado a lado. Menos pantaneiro, mais urbano, o disco não abandona suas raízes: apenas as reinterpreta em outra frequência — mais introspectiva, mais madura, mais essencial.


A faixa-título, “Cadê? Cadê…”, é o cartão de visitas desse percurso: uma canção-manifesto sobre os desencontros do presente. Gravata sem nó, batalhão perdido, chapéu de papel — imagens de um mundo em desalinho onde o eu poético se perde e se reinventa. “Passei a vida me procurando e não achei”, canta Rondon, em um dos versos mais cortantes de sua carreira.


O álbum conta com participações de peso: Salomão Soares, Big Rabello, Alex Mesquita, Rafa Barreto, Marcelo Freitas, além das vozes sensíveis de Tatiana Parra, Dani Gurgel e Demetrius Lulo. A produção esbanja cuidado e sofisticação, revelando emoção mesmo nos silêncios e nas entrelinhas. Entre os momentos mais sublimes, destaca-se “Vou Lembrar Sem Querer”, parceria com Zé Edu Camargo, que ganha brilho raro com a presença de Gabriel Sater e Jaques Morelenbaum. A canção, quase uma oração sussurrada, questiona o destino e a memória com uma delicadeza quase extinta. O cello de Morelenbaum embala como saudade antiga, enquanto Gabriel Sater se coloca como elo entre gerações. O refrão “O U OU O U OU”, imprime uma marca ancestral e popular que ressoa como um encantamento familiar.


Outra joia é “Dia Raro”, parceria com Leila Pinheiro, que assina também uma das interpretações mais íntimas de sua carreira. Com lirismo contido e emoção refinada, a canção é um convite à contemplação. Leila não apenas canta: respira a canção. Sua voz parece hesitar antes de dizer, como quem cuida para não quebrar o encantamento. Ao piano, ela costura sentimento e silêncio em perfeita harmonia com o cello mais uma vez preciso de Morelenbaum. “Dia Raro” não se impõe — se infiltra, e ali permanece.

Mesmo com uma atmosfera mais urbana, “Cadê? Cadê…” não se desconecta do interior de onde veio. A natureza agora é símbolo, metáfora, eco. Está no som do irerê, na fruta do pé, no gesto miúdo. É um disco que canta o que falta — mas sem fazer da falta uma dor, e sim uma escuta.


“Cadê o amor? Cadê o rumo? Cadê a poesia?” — o disco não entrega respostas fáceis. Mas, ao fim da audição, a pergunta parece menos urgente. Porque ouvir Guilherme Rondon é lembrar que nem tudo precisa ser encontrado: basta ser sentido.

Cadê? Cadê… estará disponível a partir de 27 de junho de 2025 em todas as plataformas de streaming. Um lançamento que convida à escuta atenta e ao espanto sensível — desses que só a boa música brasileira é capaz de provocar. (Com Assessoria de Imprensa)

 
 
 

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