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Crônica - Raízes, por Tânia Souza

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 25 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura


Terça-feira no Blog do Alex Fraga é dia de crônica com a professora, escritora e poeta de Campo Grande (MS), Tânia Souza, com "Raízes".


Raízes


Quando pensamos em raízes, é quase inevitável não pensar, em um primeiro momento, nas raízes das árvores. Li há alguns dias um texto sobre a comunicação das árvores pelas raízes: elas trocariam mensagens, nutrientes e informações, inclusive alertas de perigo, além de curar uma árvore ferida. Com a ajuda de fungos, as micorrizas formam uma conexão única da raiz das plantas entre si.

Isso é tão bonito e ao mesmo tempo, assustador. Tudo está intensamente ligado na natureza, todavia, sabemos tão pouco.

Se as árvores se protegem, se comunicam por suas raízes, como nós, seres humanos, também somos afetados por nossas raízes, muitas vezes desconhecendo aspectos tão importantes do que nos constituí como povo, como seres individuais?

Quais raízes nos sustentam? Como nasce a nossa identidade? De que lugar ou época a ancestralidade nos sopra sonhos, vontades, medo, força, caminhos?

Conhecer a ancestralidade é olhar-se no espelho do passado. Um povo tem em suas raízes a força de suas crenças, a melodia de suas músicas, a feitura de seus instrumentos, da sua comida.

É preciso conhecer nossas raízes, nossa cultura, nossas origens. A sabedoria dos povos originários, a delicadeza dos sonhos rupestres, a luta dos antigos. As raízes, por vezes perversas, de uma nação, as raízes do preconceito, da indiferença, das injustiças.

Olhar ao passado pode ser terno, melancólico, por vezes dolorido, mas como saber quais raízes nos ajudam a seguir em frente? Mesmo marcadas por cicatrizes, mágoas e ferimentos profundos que nem sempre o tempo apaga, essas raízes permanecem. Continuam a crescer, a ganhar contornos, cores. A se firmar no mundo.

Nos reinventamos quando conhecemos nossas raízes. Somos criaturas vibrantes e também fincamos raízes nos locais onde escolhemos plantar nossos amores, regar com nossas lágrimas, iluminar com nossa poesia.

Há certas escritas que nos levam a percorrer raízes culturais, familiares e sociais. Se preciso, reiventá-las, arrancá-las. Ou então, acolher essas raízes e criar com elas novos rumos, novas poesias.

Uma história da família, uma comida de afeto, um cheiro de infância, uma canção antiga... O lar, a casa onde crescemos. Nossas árvores, nossos quintais. As ruas e praças onde brincamos. Os primeiros amores. A leitura de um poema que nos sacudiu o coração. Os costumes da nossa gente, os rituais de fé, das festas.

As raízes da nossa escrita podem ser também raízes que desejamos plantar e fortalecer no mundo.

 
 
 

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