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Crítica - Oswaldo Montenegro encanta público!

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
há 20 minutos
4 min de leitura

***Por Rogério Alexandre Zanetti*** -----


Entre bandolins. lua e flor, show de Oswaldo Montenegro apresenta músicas inéditas que falam de signos e encanta público campo-grandense


Pouco antes das 20 horas de sábado, 26 de setembro, o auditório do Palácio Popular da Cultura, em Campo Grande, ainda parecia ter lugares vazios demais. A impressão durou pouco. A plateia chegou a tempo de atender ao pedido de pontualidade de Oswaldo Montenegro, quando o espetáculo começou, exatamente às 20 horas, a casa estava lotada.

A Dança dos Signos nasceu de doze canções dedicadas ao zodíaco, gravadas no álbum como mesmo nome, de 2025.Montenegro sempre tratou a ideia como uma brincadeira, sem compromisso com verdades astrológicas, mas, uma vez

no palco, cada signo serve de ponto de partida para falar de tipos humanos, afetos e contradições. A estrutura lembra uma ópera rock no qual há um tema central que une as canções, personagens que atravessam a narrativa e uma história contada pelas músicas.

Mas é a qualidade das canções de Oswaldo que sustenta a noite. Dono de clássicos da música brasileira, ele poderia se apoiar apenas no repertório que o público já sabe cantar. Escolhe outro caminho. Apresenta músicas temáticas que muitos espectadores provavelmente ouviam pela primeira vez. Os refrões, porém, são tão diretos e melodiosos que a curiosidade logo vira participação: a plateia aprende, acompanha e canta com entusiasmo.

Muito além do horóscopo

Montenegro conduz o espetáculo como o menestrel que sempre foi. Entre uma canção e outra, conversa, provoca o riso e abre espaço para sentimentos como ciúme, desejo e solidão. Existe o risco de reduzir cada signo a uma caricatura previsível. O ariano é impulsivo; o canceriano, fica feliz se chegar em último em uma competição, desde que fique de boa com a rapaziada; escorpianos, por sua vez, morrem para nascer de novo. São os chamados estereótipos atribuídos a cada signo que divertem, e muito, mas a apresentação ganha força quando escapa dessa armadilha e deixa aparecer a pessoa por trás do rótulo. A graça não está em descobrir se a descrição de um signo “confere”, mas em reconhecer algo de humano naquele retrato.

Essa história tampouco pertence apenas a seu autor. No palco, Oswaldo não brilha sozinho. Generoso, deixa que seus parceiros de palco mostrem suas múltiplas facetas, e recebam o merecido aplauso. Alexandre Meu Rei apoia os vocais, canta, toca pandeiro e outros instrumentos de percussão, mas é na guitarra elétrica que se destaca pelas harmonias e por solos breves, precisos e expressivos. O violoncelo de Janaína Salles acrescenta peso dramático às canções. Madalena Salles, além da beleza

de sua flauta e de sua voz, divide com Montenegro a condução da narrativa, e todos recebem espaço para mostrar talento e colher os próprios aplausos.

Quando o telão também entra em cena

A conhecida ligação de Montenegro com o teatro encontra, nesta montagem, um recurso a mais. Projeções e participações gravadas dialogam com os artistas ao vivo. Em passagens mais divertidas e milimetricamente gravadas e ensaiadas, bailarinos surgem não surgem no telão apenas como parte do cenário alegórico, mas também como candidatos em um teste de elenco, no qual são entrevistados por Madalena, com a participação de Oswaldo na “sabatina”.

Em outro momento, a brincadeira atravessa a fronteira entre palco e tela. Chamada por um músico, Madalena sai de cena, aparece na projeção recebendo guloseimas mineiras e retorna ao palco carregando doce de leite, café, cachaça e outros presentes. A plateia se diverte porque a tecnologia não interrompe a história, mas entra no jogo teatral.

Oswaldo Montenegro é, acima de tudo, um homem com inteligência musical acima da média. E isso demonstra no decorrer do evento. Sabendo, claro, que pessoas que vão a shows querem cantar juntos, deu um jeito esperto de – em meio a uma obra conceitual e pouco conhecida – inserir velhos sucessos para cantar junto com a plateia. Foi assim, quando ao tratar do signo de câncer falou do pai, seu “caranguejo referido” e tocar a música preferida de seu genitor, Bandolins. Ou quando falou de seu próprio signo, dizendo que o pisciano ama recordações, e ele mesmo se recorda da infância quando via cantores populares muito próximos, tocando nas calçadas, e faria isso ao interpretar o clássico Lua e Flor, com a flautista andando entre as cadeiras que acomodavam o público. Foi mesmo inteligente.

Outra tecnologia usada no show com leveza e sem prejuízo para a qualidade é o VS. Se trata de áudios pré-gravados, podendo assim – como foi no referido show – dispensar a utilização de alguns músicos, como baterista e tecladista no caso. Na base pré-gravada do show, haviam – além dos instrumentos citados -, inclusão de violinos e outros elementos sonoros que, ao invés do prejuízo, enriqueceu a massa sonora produzida no palco.

Ao fim, acreditar ou não nos signos já pouco importa. A Dança dos Signos encontra sua beleza nas canções, na generosidade entre os artistas e na facilidade com que transforma desconhecidos refrões em música cantada por todos. O público sai com uma sensação que combina bem com Oswaldo Montenegro: a de que, apesar de tudo, o melhor da vida ainda pode acontecer, principalmente para um diletante, como sou.

 
 
 

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