• Alex Fraga

Crítica – Terceira noite do Bonito Blues foi um êxtase !

O fechamento ontem do Bonito Blues & Jazz Festival me deixou frustrado! Sim, exatamente o que estão lendo. Na realidade eu gostaria de estar até agora lá para continuar me deliciando musicalmente e viajando com o blues, rock, jazz das três atrações que fizeram um casamento de sons nos ouvidos de todos que tiveram o prazer de presenciar momentos que com certeza jamais sairão das mentes. Allan House & Mississipi Jr, Cassino Boogie e Adriano Grineberg mostraram que a música realmente tem alma. Dá para acreditar que quando as pessoas boas morrem, elas viram músicas, sons que encantam os que ficam na terra.


Por volta das 22h15, a primeira atração: Allan House & Mississipi Jr, um duo de Cuiabá, Mato Grosso subiu ao palco. Alguns poderiam perguntar: blues do Mato Grosso? O que fizeram no palco pode-se considerar que eles não pertencem apenas daquele Estado e sim do Brasil e do mundo. O som diferenciado que envolve o ruralismo do blues começou a encantar o público de imediato. Perfeitamente harmônicos, os caras viajaram com os estilos verdadeiros passando do “spirituals e blues, sem deixar da experimentação fantástica da chamada world music. Esses dois artistas mostraram que podem facilmente participar no mesmo palco nacionalmente juntamente com nomes como Blues Etílicos, André Christóvan, Zé da Gaita, Igor Prado, Sonja e tantos outros grandes nomes do gênero. Fizerem uma apresentação digna de encerramento de um evento de primeira linha. Encantaram e marcaram definitivamente seus nomes por estas bandas. Como um apreciador de boa música, com certeza se eu estiver em qualquer lugar do Brasil ou do mundo e saber que Allan House & Mississipi Jr irão tocar na cidade, com certeza irei assistir. Encantaram!


A segunda atração, apesar de ser campo-grandense e conhecida nos meios musicais, nunca havia visto tocar. Cassino Boogie com suas influências dos anos 60, 70, 80 e 90, de cara levantou o público com o ritmo dançante e contagiante. Independentemente dos outros instrumentos, a chamada “naipe” de metais é um diferencial maravilhoso. Unidos passearam desde canções conhecidas de Roberto Carlos, Tim Maia, Elvis Presley e até o grande Phil Collins. O guitarrista e vocalista Nick Munaro mostrou-se que estava definitivamente em sua casa: o palco. Interagiu com o público e juntamente com Emerson Cambará (bateria), Gonçalo “Sappo” (contrabaixo e vocais), os “caras dos metais”, André Escobar, Adriano Nacionalmente e Eric Silva, além de Roberto Jr nos teclados (um detalhe, esse músico toca muito) fizeram um espetáculo que agradou e muito a todos. O repertório é excelente, no entanto, um detalhe que poderia até ser revisto quando da participação de eventos desse porte, que a apresentação não seja muito longa, assim deixaria aquele sensação de “quero mais”. Digo isso porque havia mais uma atração no festival e já passava da 1 hora da manhã. Mas foi perfeito também o show e contagiante.


Por fim, a atração mais esperada da noite: Adriano Grineberg. Mas o que escrever sobre essa verdadeira lenda do blues brasileiro? O que esperar? Um músico diferenciado que ao saber que mais uma vez iria tocar em Bonito, pediu para produção quatro dias antes para sentir a energia da cidade, das pessoas, dos pássaros, dos peixes, das cachoeiras, o clima que envolve essa terra mágica e que Deus escolheu para ser um dos lugares mais encantadores do universo. E com essa magia Adriano Grineberg entrou no palco e mostrou porque é considerado o melhor pianista de blues do país. Formou uma banda para esse show, de peso: Renan Vieira, um baterista envolvente e que abraçou toda a energia de Grinerberg; Simão Ganhdhy, um guitarrista de Dourados encantador. Na realidade é um músico diferenciado. Livre para criar no palco, simplesmente “arrebentou” e voou alto com seus acordes. Claudio Morce... o que escrever de um artista ímpar? No contrabaixo criou, mostrou a todos os presentes que é mesmo um dos melhores músicos desse país e que largou a grande São Paulo com suas correrias para se instalar em Corumbá, em pleno Pantanal. Ele deu uma flechada musical nos corações daqueles que estavam assistindo, Fantasticamente musical! A banda teve ensaio? Não. Os músicos se encontram apenas, conversaram, passaram o som e assim se completaram. Músico que é verdadeiramente músico, se olham e se misturam em sons.



Bonito teve a honra de ver pela última vez o trabalho intitulado Blues for África. Após várias turnês pelo mundo, o artista encerra essa fase e agora no próximo mês entra em uma nova etapa em sua carreira. A partir de agora será apenas Grineberg como nome artístico, pois partirá fixar seu nome na Europa assim. Ele tocou e encantou. Desceu do palco e misturou com o público cantando e tocando canções conhecidas do público brasileiro, como “Asa Branca”, só que em blues. Falou de Mandela e da família Marley. Um espetáculo a parte. Sua influência com o blues puro americano mesclado com às vezes com o reggae e o som africano contagiou o festival. Sem dúvida, o Bonito Blues & Jazz Festival fechou com “chave de ouro”. Quem venha mais e principalmente com essa organização impecável e atrações musicais de dar inveja. Que os governantes sigam esse exemplo e apoiem mais!

433 visualizações

© 2023 por O Artefato. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Instagram B&W