• Alex Fraga

Crítica – Singularidade de Zé Pretim mais uma vez emociona palco da Morada


O gênio do blues, BB King, disse um dia: “Eles nunca me disseram isso. Só ouvi de vocês, jornalistas. Mas tenho orgulho de todos eles. Acredito em Deus. Ele faz o que quer, quando quer. Espero que os tenha influenciado. Estou por aí há 84 anos, então vi quando começaram e quando terminaram. Mas muitas coisas do que faziam, eu não faço. Eu não bebo, eu não fumo. E imploro a eles (músicos) que não o façam, porque viverão muito mais. Só fico triste porque o Hendrix e outros não estão mais aqui”. (Quando perguntado sobre influenciar várias gerações de músicos).

Mas qual a razão de iniciar com uma frase, um texto crítico, do BB King para falar do último show do músico Zé Pretim que ocorreu no Centro Cultural Sesc Morada dos Baís. O show que me fez ir novamente assistir para ver se ele iria tocar as mesmas canções que nas suas últimas apresentações (o que com certeza iria criticar). Mas não! O artista começa a renovar seu repertório gradativamente mesclando agora o seu inicio de carreira com o rock. É óbvio que o blues é a sua alma, no entanto, com essa junção de ritmos, faz com que seu público aumente ainda mais – apesar de ter uma legião de fãs fiéis.

BB King em sua vida fez de tudo, bebeu, fumou e usou drogas. Mas parou e continuou melhorou ainda mais seu som e sua carreira. Zé Pretim fez o mesmo, com a ajuda de amigos, mudou completamente seu ritmo de vida. O show na Morada dos Baís foi um exemplo. Tocou e cantou os clássicos do blues e suas versões das canções “caipiras” com o blues. Mas lembrou de Hyldon Souza com “Casinha de Sapê”. Mas não faltaram outros grandes hits que passaram desde Beatles, Deep Purple (Riff de Smoke on The Water) e Made in Brazi (Vou te virar de ponta cabeça). Zé voltou a brilha em uma noite onde apesar da presença de poucos músicos (algo que virou rotina nas apresentações dos artistas locais), a casa estava totalmente lotada.

Zé Pretim brilhou com três grandes músicos – a referência na bateria, Miguel Tatton (Miguelito), no baixo, Leonardo Reis (Léo) e nos teclados, o competente, Fred Oliveira. Tudo perfeito e o brilho do show foi real. É necessário sim que todos sigam exemplo da luta de Zé Pretim para se firmar com sua arte em um Estado que ainda necessita valorizar seus artistas. Um show de um artista como ele, nos seus mais de 65 anos segurando por quase duas horas um ritmo alucinante. O artista merece e muito mais. O show mostrou realmente quem esse grande músico é: talento puro e raro de se ver!

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