• Alex Fraga

Crítica - Samba Pagode na capital: o antigo continua sendo o novo !

Após praticamente 30 anos, poucos grupos de qualidade surgiram na cidade !

Sempre fui da opinião como profissional de jornalismo e amante da cultura, que a história não se resume à simples repetição dos conhecimentos acumulados. Como dizem: "ela deve servir como instrumento de conscientização das pessoas para a tarefa de construir um mundo melhor e uma sociedade mais justa". A história recente do samba-pagode mostra que esses "novos pagodeiros-sambistas" em Campo Grande, onde alguns já se consideram "estrelas" (não sei de que planeta), não se importam, não tem respeito e principalmente não tem conhecimento algum sobre o surgimento desse ritmo gostoso, principalmente o "de mesa", na capital do Mato Grosso do Sul. Na realidade, esse movimento na metade dos anos 80 e início de 90, foi o que rompeu todos os preconceitos e conceitos musicais da cidade que predominava outro tipo de som. O samba, principalmente, o pagode, era bem marginalizado. No entanto, era um som verdadeiro! Hoje é fácil! Grupos surgem a todo momento e repetidamente tocam os sucessos em bares, conveniências e festas. O pior ainda, tocando por cachês que não pagam individualmente uma corrida longa de Uber. Outros continuam tocando por "espaço no bar", por mixaria. Essa é a realidade. Além disso não existe união entre eles. Triste situação. Mas, aí vem a pergunta... "Quantos desses "artistas do samba" mostram trabalho autoral ?". Uma raridade. Vou além... Eles conhecem a verdadeira história desse movimento musical em Campo Grande? Será que sabem quem realmente foram esses grupos? Mel na Boca, Moagem, Zuera, Realce, Nossa Cor, Gente Humilde, Samba Som 5, Raízes do Samba, Mistura de Raça, Só Pra Descontrair...(aliás nesses grupos surgiram os melhores sambistas do Mato Grosso do Sul). E os espaços da época? Samba Rio, Cariocas Bar, a família Cambará com o Delícias na Brasa, o Arruda com o Esquina do Franco, e a Boate Crocodilus (sim tinha pagode). Alguns ouviram falar, mas muitos nem se importam pela história e acham que cantando músicas cover acreditam que "são excelentes sambistas". Pior ainda, não respeitam esses precursores no Estado. O que existe mesmo são cópias baratas de grupos cariocas e paulistas...Desses considerados "novos" (nem tão novos assim), alguns se salvam. Desde o surgimento do grupo Sampri (considero o melhor), o "Bom de Fato", "Pegada de Macaco", de nada de lá para cá surgiu. Vale ressaltar que estou escrevendo sobre grupos. Não cito nada individual, pois também salvam-se poucos como Daran Junior, Dieguinho, Romário, Negabi e Gideão Dias. Mas quem mais ? Trabalho autoral que é bom nada. Pode ser que até existam alguns mais, no entanto, não divulgam ou vivem tocando em lugares onde os amigos vão aplaudir com certeza após algumas cerveja. Necessário que esse pessoal estude mais, se aplique e principalmente tenha mais humildade. Saber da história e valorizar os mais antigos é de fundamental importância para a evolução profissional. Pensem e reflitam! O que vejo no momento é que o samba dos antigos continua sendo novo...



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