• Alex Fraga

Crítica – Poética teatral em Co’Ser é um resgate maravilhoso a sensibilidade

Perna, braço, nariz. Palavras e mais palavras em construção. Prender a atenção com suavidade poética teatral em uma sala fechada (iluminação, cenário, música) é extremamente difícil para um público voltado para bebês e crianças de até 4 anos. No entanto, atores mostraram em Campo Grande que é importante mudar conceitos, principalmente para pais que acostumam usar outros mecanismos para seus menores fiquem mais quietos, como a tal “galinha pintadinha” (que não passa absolutamente nada de bom para a mente das crianças). Mas como conseguir? Os atores da peça Co’Ser apresentada no último sábado a tarde, na sede da Urgente Companhia em seu último dia, mostrou que a leveza e a sonoridade da palavra levam a atenção e emoção.


A construção de uma identidade própria que questiona a imposição das pessoas foi a tônica que agradou a todos os presentes que estiveram assistindo esse belo espetáculo. Vale ressaltar por sua vez que nenhum técnico cultural ou representante dos órgãos governamentais esteve presente. Mas isso já é uma realidade diária na cidade, pois para muitos é mais fácil patrocinar uma peça ou show, do que ir, assistir e sentir o que realmente está acontecendo na cultura de nossa região para que posteriormente se possa criar outros projetos para melhorar o setor.


Os atores Angela Montealvão e Leonardo de Castro conseguiram mostrar com pouco diálogo e muita expressão que ser intransigente ou mesmo querer moldar padrões, na realidade é algo inexistente e nada irá levar para a vida cotidiana. A direção do espetáculo é da paulista Sandra Vargas teve o cuidado e sensibilidade que retratar a importância da poesia e o carinho. A produção geral de Vitor Samudio. Foram praticamente 45 minutos de encenação que além de prender a atenção dos adultos, os bebês e crianças se mostraram encantados a cada movimento dos atores. Nada de barulho (a não ser em um pequeno instante onde o ator quer continuar com a imposição, mas logo é colocado em pauta que sem mudanças, tudo fica em rotina e sem qualquer futuro).


A peça é extremamente interessante e mostra a história de uma costureira que cria e conserta bonecas de pano e se depara com sua própria roupa rasgada na altura do peito. A partir do ofício de coser, a costureira percebe e constrói a sua própria identidade, portanto, a costureira tem a licença poética de coser as bonecas e também de coexistir, ou melhor, de co-ser, a partir delas. Apesar do trabalho de teatro para bebês não ser algo inédito, pois já foi desenvolvido em países da Europa e um pouco pelo Grupo Sobrevento em São Paulo. No entanto, em Mato Grosso do Sul, a atriz Angela Montealvão foi a primeira a trabalhar através do espetáculo intitulado “A Flora”, em 2014.



Assistir a peça Co’Ser foi uma grata surpresa. Ver a luta desses artistas através de temas importantes, é sem dúvida algo gratificante para a mente e o coração. Ela contemplada no edital de fomente ao Teatro da prefeitura através da Secretaria de Cultura e Turismo, no entanto deveria ter um maior apoio e levar esse trabalho para todos os bairros de Campo Grande. Cultura se faz com o povo. Cultura como sempre digo é a sobrevida de um povo e os “comandantes” dos órgãos responsáveis deveriam prestar mais atenção nesses fabulosos trabalhos.

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