• Alex Fraga

Crítica – Os ganhos e prazeres em assistir “Todo redemoinho começa com um Sopro”!

Atualizado: 14 de jun.

(Foto Vaca Azul)

O diretor da peça “Todo redemoinho começa com um Sopro”, Nill Amaral mais uma vez mostra que é necessário que os órgãos culturais e produtores devam apostar e muito (algo que ainda não ocorre literalmente) no trabalho dos artistas regionais. Assisti a peça ontem (quinta-feira) no Sesc Cultura e ele e seus atores fizeram-me sentir no fundo de minha alma, a paixão e a dor da escrita em carne viva. Foram profundamente Clarice Lispector em todos os sentidos: mulher desenhada na mente dos espectadores. Não somente o ser escritora e poeta. Mas a mulher independente dos seus gestos, linguagem tosca ou não. Um fruto em um mergulho profundo em suas ideias. Um cenário simples e cativante, mas justamente para se encaixar nas “caixas” de palavras e narrativas que a todo instante se desdobram em poemas e viagens às vezes imaginárias, outras distantes de um tempo, um passado. A peça encenada pelo grupo teatral Cia Ofit surpreende e me fez apaixonar pelo talento dos três atores em cena. A jovem atriz Lígia Prieto brilha em cada movimento corporal nas expressões e diálogos. Doce e ao mesmo tempo forte foneticamente, encanta e encarna no imaginário de Lispector. Samir Henrique, ator jovem doa o dom de interpretar firmemente entre duas mulheres. Sabe claramente sustentar a dualidade do autor-narrador, que divide na peça o instinto, liberdade e principalmente a racionalidade. Nádja Mitidiero. Bom, o que posso dizer dessa atriz? Se for escrever em uma palavra mais próxima seria: “completa”. Ela passeia entre as palavras e vive a alegria e principalmente a dor em toda narrativa. Sabe aquela atriz que não deve ABSOLUTAMENTE nada para as consideradas grandes do país? Essa é Nádja Mitidiero. Perfeita e bela em movimentos, gestos incontrolavelmente distintos ! Mostra a força e a fragilidade. É um poço de emoções variadas. O universo de Clarice Lispector é assim e os atores sabem passar isso para o público. Palavras e frases: “O dia corre lá fora à toa e há abismos de silêncio em mim”. “Todo redemoinho começa com um Sopro” é, nada mais uma luta entre o ser e com certeza o existir. A cada instante tem Clarice viva e principalmente morta (aparece em projeção dizendo que quando escreve se sente morta). O quadro imaginário, a sombra, os livros, a caixinha especial com um “beque” e o peixe. Os ventiladores que espalham as estrelas azuis e suavemente passeiam entre as palavras soltas. Iluminação perfeita. O triste de tudo que sinto, é que quando um grupo de teatro monta um espetáculo de qualidade no Mato Grosso do Sul, não há ainda um espaço adequado para mostrar ao grande público. O Sesc Cultura suporta apenas no máximo 60 pessoas por apresentação em uma peça que merece ser assistida por mais de mil. Privilegiados são aqueles que conseguiram e outros que conseguirão os ingressos distribuídos uma hora antes do espetáculo nesta sexta e sábado. Nill Amaral, Nádja Mitidiero, Samir Henrique, Lígia Prieto, Gil Esper (elaborou o espaço) e toda equipe de produção estão dando um presente antecipado a todos de gostam da arte de qualidade. Que nossos governantes acordem e apoiem mais esses grandes artistas e deixem os interesses pessoais de lado (shows musicais com custos absurdos), pois como sempre digo: a Cultura é a sobrevida de um povo. Aliás, não encontrei nenhum político ontem, até mesmo os que dizem que apoiam a Cultura neste espetáculo. Ainda dá tempo senhores! Recomendo milhares vezes e “uma a mais”, a todos assistirem esse grande espetáculo teatral. Amei!




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