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  • Foto do escritorAlex Fraga

Corumbá - Circuito para fomento do afroturismo no Pantanal é lançado

*** Aline Lira e Lucas Arruda***


Um encontro com a história e a cultura afro-brasileira em Corumbá. Cidade branca pela natureza do seu solo calcário e Negra pela força, religiosidade, quilombos, e vozes que participaram da formação deste destino desde o século 18. É com essa missão que chega o Circuito Corumbá Negra, projeto de afroturismo criado pela Agência Bela Oyá Pantanal que será lançado às 8h, neste sábado (13 de maio), às margens do Rio Paraguai, no Porto Geral.


Cercado de significados, a data de lançamento do circuito foi escolhida não por acaso. “O 13 de maio é um marco importante por ser o Dia da Abolição da Escravatura em decorrência da Lei Áurea, sancionada em 1.888 e, também, é o Dia de Preto Velho, uma festividade religiosa eminentemente afrobrasileira”, explica Thayná Cambará diretora da Agência Bela Oyá Pantanal que há quatro anos tem mergulhado fundo nessa rica temática que, direta ou indiretamente, deságua na ancestralidade histórica que ajudou a construir a Corumbá que conhecemos.


Detalhes - Uma cidade cheia de casarões históricos, ladeiras, festas religiosas e culturais, comunidades quilombolas, casas de terreiros, benzedeiras, comidas típicas, costumes e tantos outros simbolismos que no dia a dia podem passar despercebidos. Mas que por meio do afroturismo a Bela Oyá Pantanal anseia por trazer à tona para o conhecimento de quem estiver pela cidade e quiçá do Estado.


“Aqui, o que fazemos é construir em conjunto os caminhos para potencializar as comunidades, cada uma tem sua voz e elas são as protagonistas deste projeto. Nosso objetivo é construir caminhos para que as pessoas conheçam essa história, por meio do turismo e da cultura, porque acreditamos no poder transformador da educação, do conhecimento”, frisa.


A Bela Oyá Pantanal é a primeira agência de afroturismo do MS e o Circuito Corumbá Negra nasce nesse contexto. “Há uma caminhada negra do dia 13 de maio que vai acontecer em 22 cidades do Brasil, simultaneamente” revela Thayná que detalha como surgiu sua parceria com o Guia Negro, plataforma de Afroturismo, coordenada por Guilherme Soares Dias, que está organizando o projeto “13 de Maio e os Dias Depois”. “É uma iniciativa que está sendo feita com articulação dele, a qual a gente participa com o Circuito. Então, dentro de um dia tão importante, mas, que ainda continua à margem, por conta da mentalidade de discriminação, ao invés de focarmos nos problemas, optamos por fazer diferente e mostrar o outro lado - a força, a potência da história preta”.


Idealizador do projeto, Guilherme conta que o “13 de Maio e os Dias Depois” é fruto da articulação com parceiros nos municípios e tem por objetivo contar o que aconteceu após a abolição, inconclusa, da escravatura no País.“É a primeira vez que teremos caminhadas contando narrativas negras em mais de 20 cidades brasileiras ao mesmo tempo. É um marco histórico, mostra que a presença e contribuições negras estão por toda parte, diz.


Conhecimento - Não por acaso o Circuito Corumbá Negra inicia sua caminhada no sábado (13), a partir das 8h, tendo o Porto Geral como ponto de encontro. Com quatro horas de duração, o roteiro projetado para atender um público de 22 pessoas inicia-se ali mesmo às margens do rio Paraguai, a fim de abordar a origem do porto que foi construído pelos braços cativos, em 1869, no pós-guerra do Paraguai.


O grupo segue para conhecer o bairro Borrowisk, remanescente Sarobá, gueto negro que teve de resistir a forte marginalização na década de 1920 a 1950. É lá que reside a Comunidade Remanescente Família Ozório, um dos quilombos mais conhecidos do MS, haverá uma roda de conversa e degustação voltada à culinária regional.


E para coroar o Circuito Corumbá Negra, o grupo segue até o Terreiro Nossa Srª da Guia, da Comunidade Remanescente Quilombola Maria Theodora, bairro Aeroporto. Aqui, a religiosidade é apresentada pela Dona Cotó, filha de Dona Cacilda, considerada a maior mãe de santo do Centro-Oeste Brasileiro entre os anos de 1970 a 1980. Estima-se que Corumbá recebia centenas de ônibus todos os meses. Eram pessoas à procura da matriarca que chegava a fazer mais de 300 atendimentos por dia.


“Minha mãe era filha de escravos, Mariano e Maria Theodora Gonçalves de Paula. Ainda menina, entre 13 a 14 anos de idade, ela passou a incorporar o Pai João, médico de Minas. Uma mulher que fez muita bondade, atendeu muitas pessoas, com os milagres feitos pela entidade”, conta Dona Cotó que pontua a importância da matriarca para o desenvolvimento de Corumbá, história que nos remete a trajetória de outra importante mulher negra do MS, Tia Eva - cuja representatividade na construção de Campo Grande ficou por décadas invisibilizada. “O terreiro foi doado para minha mãe que, além da caridade em si, bondade, ela abriu Corumbá. Os turistas a procuravam e tinha aqueles que vinham apenas em busca do seu atendimento e acabavam por conhecer a cidade”.





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