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Cordel - O verdadeiro cordelista, por Rogério Fernandes Lemes

Domingo no Blog do Alex Fraga é dia de texto em poesia de cordel com o poeta e escritor de Dourados (MS), Rogério Fernandes Lemes


O verdadeiro cordelista Rogério Fernandes Lemes


Há quem diga que o cordel Só exista no Nordeste. Fora desse redondel É cópia e cabra da peste. Que cordel é nordestino; Só pode ser genuíno Se for fruto do agreste.


Me vem um questionamento: Não posso me apropriar Deste belo ensinamento; Dessa arte secular? O que faz um cordelista? Se não ser um ativista Da cultura popular?


Porque tanto estranhamento E egoísmo no pensar? É por esse pensamento Que só faz capenguear. Mesmo longe do Nordeste Passando pelo Sudeste, Não paro de cordelar.


Assim como o nordestino Eu falo do meu lugar; Que tem rio cristalino Onde não pode pescar. O rio Formoso em Bonito Reflete o céu infinito, Que me perco só de

olhar.


Que dizer de Manoel E das coisinhas do chão? Nós usamos o cordel Para dar mais expressão; Divulgar o meu Estado, Um lugar abençoado, Que tem Deus no

coração.


Se não fosse um cordelista Homem triste eu seria, Ou quem sabe um repentista, Para minha alegria. Mas o fato é que escrevo; O cordel é meu enlevo Vinte e quatro horas por

dia.


Certo dia eu conheci; Já tinha ouvido falar. Então eu não resisti E resolvi cordelar. Comecei quadra fazendo Sextilha fui aprendendo, Até a sétima chegar.


Uns diziam que besteira O negócio de rimar. Prefiro fazer esteira, Pois não gosto de pensar. Só que quando eles ouviam Muitos deles só sorriam, Com vontade de escutar.


Verdadeiro cordelista Escreve aquilo que sente. Não quer ser exclusivista Isso o cordel não consente. Cordel traz interações; Aproxima regiões E enaltece nossa gente.


Mas quem é o cordelista? Me diga, quero saber. Das letras é alquimista; Não vive sem escrever. Escreve verso com rima; Metrifica ainda por cima, Coisa linda de se ver.


Eu não nasci no sertão; Não tive tal privilégio. Mas amo de coração E não acho um sacrilégio. Escrever cordel eu quero; É meu desejo sincero; O cordel é meu colégio.


E assim sigo cordelando Escrevendo cada verso; Eu levo a vida cantando No cordel eu vou imerso. Sei que sou bom cordelista Me sinto bem ativista, Neste vasto universo.


Escrevi este cordel Em forma de brincadeira; Usei lápis e papel Pra dizer que é besteira Dizer que é só nordestino; Se não for é clandestino, Pois cordel não tem fronteira.


Cordelistas somos todos, Do Oiapoque ao Chuí, Deus me livre dos engodos Que criticam por aí. É gaúcho ou nordestino; Homem velho ou menino; Cordel também é daqui.

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