top of page

Conto - Pote de armas, por João Francisco Santos da Silva

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de Conto com o médico clínico geral, acupunturista e escritor de Campo Grande (MS), João Francisco Santos da Silva, com "Pote de armas"


Pote de armas


Agora aqui será a lei da selva. Ação e reação. Instinto primitivo de sobrevivência. O ataque será o meio de defesa. Não é nada pessoal. Até um vira-lata de porte médio estranha seu dono quando está comendo. Por que porte médio? Os pequenos estão sempre irritados. Rosnam e mostram os dentes para todo mundo, mas não amedrontam ninguém. Então, de agora em diante vai ser assim. Antes de bater, vai levar. Uma vez esclarecido e dado o aviso, nada de reclamações. Exemplificando: tampa da privada não abaixada: um mês sem sexo; fechada no trânsito: gritar na lata um vai tomar no “c.”; furo de fila no supermercado: tapa na cara e se for homem ainda leva um pontapé no saco. Dependendo do dia do mês, da disposição, e se conseguir um porte de armas, alguém pode até levar chumbo.

A mulher muito irritada, e de péssimo humor, falava sem parar. Devia estar num daqueles dias em que tudo dá errado. Foi só para desabafar que despejou todas as suas lamúrias no marido. Homem compreensivo, mas um pouco relaxado com as questões do banheiro, ele prontamente entendeu que ficaria um mês sem namorar a esposa.

— Mamãe! E xixi na cama?

Só então, e para sua surpresa, a mulher viu o filho sentado no tapete. Ele estivera ali o tempo todo, brincando com seu carrinho. Nesse momento, o pai, a mãe e o menino se entreolharam com os olhos arregalados de espanto.

O menino ouvira todo o desabafo materno. E diante do discurso inflamado da mãe, ele tentou se justificar pelo “erro” cometido.

— Mamãe, eu sonhei que estava na piscina, lá da casa do vovô. E a água vinha tão quentinha. Desculpe, mamãe. Não foi por querer.

— Meu filho, você já tem quatro anos, precisa parar de fazer xixi na cama.

Mas, comovida com a carinha chorosa do menino, a mãe complementou.

— Oh meu amorzinho! Vou encontrar uma solução para que isso nunca mais se repita.

Então, o menino visivelmente amedrontado levantou timidamente a mãozinha e lhe pergunta:

— Você tem pote?

— Pote? Que pote, filhinho? Ah, já sei! Não é pote. Chama-se pinico. Dá para você fazer xixi à noite nele. E até cocô, se lhe der vontade.

A criança ficou aliviada com a explicação da mãe. E para mostrar que havia compreendido tudo, disse:

— Então, mamãe, eu quero um pote de armas para fazer muito cocô. E quando ele ficar cheio, eu jogo no alguém! Igual você falou que faria!

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page