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Conto - O dia da neve, por João Francisco Santos da Silva

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 27 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de conto com o médico clínico geral, acupunturista e escritor de Campo Grande (MS), João Francisco Santos da Silva, com "O dia da neve".


O dia da neve


Houve um dia, há muito tempo, numa galáxia distante, quando ainda não existiam os estranhos aparatos que até servem para telefonar, em que ocorreu um raro fenômeno e o qual nunca mais deverá se repetir. Era 17 de julho de 1975, na madrugada gélida, pouco depois das 4 horas começou a nevar. O dia amanheceu e a neve continuou a cair sem trégua. Cidade fria em que poucas vezes nevou ou fingiu ter nevado. O chão ficou branco, havia neve suficiente para fazer bonecos e pelotas para as crianças (e os adultos também) atirarem umas nas outras. Cenário quase igual ao visto nos filmes de Natal do hemisfério norte.

Um turista norte americano, de passagem pela cidade, desdenhou a nossa nevasca. De onde ele vinha aquilo não passava de um chuvisco gelado. Já para os curitibanos, todos excitados com o fenômeno, não bastava apenas vivenciá-lo. Eles também precisavam registrá-lo para que no futuro, ou mesmo no presente, quem não o viu acreditasse na existência daquele dia insólito.

Das 4:30 às 10:30 da manhã, foram seis horas ininterruptas de neve. Desde 17 de julho de 1975 até hoje, já se passaram 50 anos, nunca mais nevou em Curitiba, pelo menos, não como naquele dia. É bem possível que volte a acontecer uma nova nevasca. Impossível, e esse foi o raro fenômeno ocorrido, será as pessoas fazerem filas nas lojas da cidade para comprarem máquinas fotográficas.

Sim, foi um dia memorável em Curitiba, o dia em que todos os estoques de máquinas fotográficas se esgotaram. Outros tempos, quando as notícias ainda eram datilografadas, não existia internet, muito menos celulares. Os filmes fotográficos precisavam ser revelados. Quanta decepção quando eles “queimavam” e se perdia todas as 24 ou 36 poses das “fotos tiradas”.

Cinquenta anos depois, restam as fotos amareladas de uma neve que naquele dia devia ser branquinha. Eu mesmo só vi a grama lá de casa nevada em uma única foto sacada com máquina Kodak de meu pai. Para meu azar, no dia da neve estava de férias na praia. A foto antiga, meio desbotada, virou relíquia de família e prova incontestável de que realmente nevou em nossa casa.

 
 
 

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