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Conto - Não custa nada, por Inorbel Maranhão Viegas

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 6 de abr. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de jan. de 2025



Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de conto com o jornalista, poeta e escritor de Brasília (DF), Inorbel Maranhão Viegas, com "Não custa nada"


Não custa nada


Acordei. Tinha acabado de sonhar. Isso não é incomum. Eu sonho muito. Aliás, acho mesmo que não saberia viver sem sonhos. E isso não é só uma questão semântica. Sonhar é em mim uma necessidade. Por isso tenho dificuldade pra entender quem diz não ter sonhos. Nem os que invadem a noite de sono, muito menos os que preenchem as vãs horas do dia. Mas... deixemos de história e vamos ao que importa. Meu sonho.

Como eu disse, acordei de um sonho com ele ainda fervilhando, nítido em minha mente. Por isso, corri pro computador. Porque os sonhos têm essa característica, os bons, fugazes, se escondem no esquecimento. Os maus, usam a lógica da permanência para nos provocar a angústia. Eu tive um sonho bom.

Sonhei que fechava um ciclo escolar. E, no sonho, houve tempo de despedir-me da escola onde estudei. Enxerguei tudo. O espaço físico era do Grupo Escolar Bartolomeu Mitre, em Foz do Iguaçu. Uma escola onde tive minhas primeiras noções de liberdade, amor e sonhos, e que hoje virou quartel. Não faz muito tempo, passei por lá. De tudo, restou a minha memória e a fachada de um prédio. O resto é saudade. E agora, sonho.

Pois, era justo nesse colégio que, em sonho, eu fechava meu ciclo escolar. E enquanto eu me despedia de amigos, funcionários e professores, fazia sonhos de futuro. A minha saída coincidia com a reforma das salas que frequentei durante anos. Tudo ali me era íntimo. Enquanto eu caminhava pelos corredores, as paredes iam sendo lixadas para receber nova pintura. E aquele pó branco se espalhava por tudo, deixando o meu sonho com uma espécie de fog seca. Não era sufocante. Era mágico.

Como os sonhos não respeitam limites, nem geográficos e nem temporais, a última pessoa que encontrei foi o meu professor de física, Luiz Evangelista. Foi ele o responsável por me apresentar a Sócrates, Platão, Nietzsche, Max Weber e tantos outros. Não naquele colégio, não naquela cidade, não naquele momento do Bartolomeu Mitre. Mas era ele quem estava me esperando de braços abertos, em meio aquela fumaça branca, pronto pra me abraçar.

Como os sonhos são impossíveis de controlar, acordei enquanto o abraçava, apesar dele dizer que estava cheio de pó. Sei que a última imagem do meu sonho era eu dizendo a ele com os olhos marejados de emoção que o pó da sala era o que menos importava. E não iria me impedir de abraçá-lo. Foi um sonho bom. Desses que me fazem acordar com alegria e vontade de escrever. E é isso o que faço agora. Enquanto, pela janela, o dia entra em minha casa. Que seja um bom dia.


Inorbel Maranhão Viegas

Brasília, 21/03/2024



 
 
 

2 comentários

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06 de abr. de 2024
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Maravilha de conto

Ana Paula Lourenço - Rio das Ostras RJ

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Convidado:
06 de abr. de 2024
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Gostei muito!

Célia Brandão - Brasília DF

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