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Conto - A abóbora celeste, por João Francisco Santos da Silva

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 26 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de conto com o médico clínico geral, acupunturista e escritor de Campo Grande (MS), João Francisco Santos da Silva, com A abóbora celeste.


A abóbora celeste


Era de noitinha. Aline e Sofia deitadas no gramado, de barriga para cima, se divertiam olhando para o céu.

As duas primas, de férias no sítio do avô, tentavam contar estrelas. Porém, o céu estrelado atrapalhava a contagem das meninas. A toda hora elas se perdiam e precisavam começar a contar tudo de novo.

Quando se cansaram da brincadeira e pensavam em outro passatempo mais divertido, elas viram duas estrelas cadentes cruzarem o céu e depois caírem no mato, lá longe. Aline, sempre curiosa, perguntou:

— Se as estrelas caem lá de cima, por que o céu também não cai?

— Meu pai disse que ele fica preso na abo... abóbo.... abóboda celeste – Sofia finalmente conseguiu pronunciar a palavra diferente.

— Abó..., abóbo..., abóbada? Que nome esquisito! Eu só conheço abóbora? — disse Aline.

— Eu também! — concordou Sofia, que quase sempre concordava com Aline. — Meu pai fala umas coisas complicadas que às vezes eu não entendo.

— Doce de abóbora é tão gostoso! Não sabia que a abóbora também sustentava o céu e as estrelas! — disse Aline, ainda surpresa com a explicação da prima.

— Eu acho bonitas aquelas gordinhas. Elas brilham mais — Sofia falou, distraída com a luz das estrelas.

— As abóboras?

— Não! Aquelas estrelas lá em cima, na abóbora do céu – Sofia apontou o dedinho indicador para o céu estrelado.

— Elas são gostosas de comer assadas.

— As estrelas?

— Não! As sementes de abóbora.

— Será que as estrelas viram sementes? — perguntou Sofia.

— Não sei! Mas acho que deve ser difícil juntar tantas estrelas que dê para assá-las em uma forma grande.

— Vamos lá? — disse Sofia, ficando em pé num salto.

— Lá onde?

— Atrás daquelas estrelas que caíram. Se a gente der sorte, elas já estão assadas.

As duas iam sair correndo pelo gramado, atrás das estrelas cadentes, quando foram interrompidas pela voz de um adulto.

— Ei meninas! Onde vocês pensam que vão? Perguntou o pai de Sofia.

— Vamos pegar as sementes de abóbora que caíram do céu.

— Que história é essa? Sementes de abóbora que caem do céu?

— Foi o senhor quem me contou da abóbora do céu! Lembra?

O pai precisou pensar um pouco para lembrar-se da conversa com a filha.

— Ah, claro! Mas eu falei da abóboda celeste, Sofia. Disse o pai rindo.

— Viu Aline! Eu tinha falado certo! Foi você que me confundiu.

— Mas abóboda celeste é um nome muito esquisito. Prefiro o doce de abóbora que a minha vó faz. — retrucou Aline, meio encabulada, sem dar o braço a torcer e querendo mudar de assunto.

— Pai, se não é uma abóbora, então o que é uma abóboda?

E agora? Como explicar isso para duas meninas de 6 anos? Melhor não complicar. Pensou o pai procurando uma boa resposta para dar a filha.

— Eu disse que não é uma abóbora. Na verdade, a abóboda celeste é só metade de uma abóbora. Ela é cortada bem no meio e fica lá no alto virada com o lado aberto para baixo. As estrelinhas estão presas dentro da abóbora e vez o outra uma cai aqui na terra.

— Viu! Eu estava certa! É um pedaço de abóbora. E tem sementes. — disse Aline, teimosa e sentindo-se vitoriosa.

As duas meninas saíram correndo. Foram atrás das sementes da abóbora celeste.


Recado do autor:

Estou divulgando o lançamento de meu livro, uma coletânea composta por trinta contos curtos com temática existencialista. As histórias percorrem as várias fases do ciclo vital, partindo do período pré-natal, nascimento, infância, idade adulta, terminalidade da vida, morte e chegando até um pouco mais além.

Livro: O polonês melancólico. Autor: João Francisco Santos da Silva. Editora: Samsara. Encontra-se em período de pré-venda e maiores informações sobre o livro podem ser vistas em: https://contosdesamsara.com.br/loja/ols/products/opolonesmelancolico

 
 
 

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