• Alex Fraga

Coletivo Pandoras – Circo feminista que “quebra tabus” chega ao MS


Um projeto que foi lançado em Goiás (GO) e com apresentações que passam por 13 cidades do Tocantins, Bahia e Mato Grosso do Sul, chega neste dia 26 (sábado) em Campo Grande e dia 3 de outubro em Dourados, através do Coletivo Pandoras – que nada mais é do que a união das artes cênicas e debates sobre o universo feminino. Em razão da pandemia, o projeto que seria de circulação presencial em cidades das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, acontecerá em 13 diferentes canais virtuais de exibição em cada uma das localidades, envolvendo para isso uma rede de produtoras e produtores culturais de cada localidade, além das organizações sociais e coletivos artísticos. Em Campo Grande a produção local é do Circo do Mato e em Dourados, do Sucata Cultural.

“Fizemos isso como uma forma de resistência a este modo de subjetivação do feminino, apontando para o entendimento que ser mulher é também ser desajustada, engraçada, questionadora e política”, comentou Radarani, artista circense, palhaça e intérprete da Soldara, personagem protagonista em A Visita de Chico.

Após cada exibição dos espetáculos haverá um debate (via live), sempre com figuras de destaque, integrantes do projeto e moradores de cada uma das regiões. Em Campo Grande, a convidada será a artista contemporânea Laura Anderson Barbata – mexicana radicada em Nova Iorque, que vai abordar “Os corpos das Mulheres e o poder exercido sobre”. Já em Dourados, a live será com Ermínia Silva – doutora em História, co-coordenadora do Grupo Circus na Unicamp e autora de obras relevantes sobre circo.

Pastrana é um espetáculo de lambe-lambe que se apropria da história da Monga - A Mulher Gorila, muito popular em feiras e circos Brasil afora, para sintetizar a história de Júlia Pastrana. Já “A Visita de Chico” remonta o imaginário da mulher moderna, que lida com a vida cotidiana e recebe a inesperada e apaixonante visita de Chico, quando tem que dar conta de um amor que é uma representação e da sociedade, que não aceita o corpo feminino como ele é.

Uma das vertentes do projeto é proporcionar o debate sobre a mulher e a produção artística, sobretudo na região centro-oeste e levando em consideração a discussão sobre as produções circenses e as produções femininas. “Esse projeto contribui para a consolidação da atuação feminina na cena goiana e agora também no cenário nacional, ampliando as discussões acerca da produção dos espetáculos circenses”, avalia Izabela Nascente, atriz, intérprete da Pastrana e diretora de A visita de Chico.

Diálogo com as cenas locais - Em Campo Grande, a ação conta com apoio do produtor cultural Anderson Lima, que destaca o pioneirismo do projeto, que se adaptou à realidade imposta pela pandemia de Covid-19. “Acredito que esse projeto é importante por trazer referências de fora do MS para discutirmos e também mostrar as possibilidades de adequação para a realidade atual. Um projeto que circula por várias cidades nesse formato digita é de grande importância por seu pioneirismo, nos fazendo refletir sobre alguns paradigmas e em busca de amadurecimento para as novas possibilidades”, destaca o produtor cultural.

O projeto também se desdobra nas regiões e cidades que percorre. A difusão de trabalhos artísticos e culturais que abordam esses temas, contribuí para o crescimento de pessoas interessadas e de criação de outros trabalhos que poderão surgir na própria comunidade, com grupos locais que proliferam para todo o campo cultural regional, nacional e até internacional.

Sobre os espetáculos - Em Pastrana, o truque original da Monga, personagem que se transforma em gorila por conta de um efeito ótico de luz é desconstruído, invertendo a ordem as imagens e dos signos. Ao invés de começar com a mulher se transformando na monga, na caixinha de lambe-lambe, Julia, a mulher gorila, entra primeiro e se transforma em uma ‘monstra’ dentro dos padrões sociais: moça, branca, loira e com os seios siliconados, performando o ‘padrão europeu’.

“Para construir o roteiro, houve a adaptação da tradicional narração da performance e a inversão da figura do monstro, que questiona os padrões voltados para as exigências relativas ao corpo da mulher. A escolha em desenvolver uma circulação artística com enfoque no feminino é potencializar questões referentes ao papel social e artístico da mulher com graça e leveza”, explicam as autoras.

Já o espetáculo “A visita de Chico” mescla circo com a história de Soldara, uma palhaça que se veste de homem para ganhar a vida como artista de circo. Ao final de cada apresentação, ela retorna à sua casa, emaranhada às exigências da profissão, do corpo e dos projetos de vida, contudo, com seus encantos e desajustes, segue com a pacata vida com imaginação, até se apaixonar, mas o tenro romance é acometido por uma circunstância indesejada, da qual Soldara se envergonha e foge.

O projeto é realizado pelo coletivo Pandoras, correalizado pela Cultivo Projetos e Soluções Criativas e Círculo Filmes. Apresentação Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, Secretaria de Estado da Cultura. Mais informações sobre o projeto podem ser acessadas no site projetopandoras.com.br . (Com informações de UNA Comunicação – Fotos Erika Mariano)

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