Artigo - Os servidores públicos, o agronegócio e o governador Riedel
- Alex Fraga

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Nesta quinta-feira no Blog do Alex Fraga, o artigo do professor titular aposentado da UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso, Paulo M. Esselin, com "Os servidores públicos, o agronegócio e o governador Ridel.
Os servidores públicos, o agronegócio e o governador Riedel
***Paulo M. Esselin Prof. Titular aposentado da UFMS
Os primeiros meses do ano não têm sido auspiciosos para o governador Eduardo Riedel. Apesar de sustentar uma ampla campanha publicitária em redes de rádio e televisão e de percorrer o Estado ao lado de seu candidato ao Senado, o gestor começa a colher notícias desagradáveis. As críticas ao desempenho de seu governo ganharam corpo perante a sociedade, gerando um cenário desencorajador que contrasta com o discurso oficial.
Os últimos acontecimentos demonstram o descaso do governador com a Saúde, a Educação, a Segurança Pública e todos os servidores do Estado. Segundo o (Sindicato dos Docentes da UEMS), a aprovação do estado de greve pelos professores, em Assembleia Geral, é o reflexo nítido da insatisfação da categoria. O motivo central é o arrocho imposto aos docentes, cujas perdas salariais chegam a 44,48% no período acumulado desde 2014. A desvalorização atinge níveis críticos, evidenciados pelo fato de que professores doutores ganham menos que docentes da Educação Básica estadual. Além dessa precarização, o governo mantém aos aposentados uma contribuição previdenciária de 14%, herdada de Reinaldo Azambuja, penalizando quem dedicou toda uma vida de trabalho e contribuição ao Estado.
Pior ainda é o fato de que o governador não tem respeitado o Plano de Cargos e Carreira da UEMS, estabelecido pela Lei nº 2230 de 2001. Esse plano foi criado para permitir que o professor cresça profissionalmente através de níveis e classes (do I ao V), com base em sua experiência, produção cientifica, elaboração de projetos de extensão, ensino e títulos. No entanto, na prática, muitos docentes foram impedidos de chegar ao topo da carreira, apesar de seguirem à risca todas as exigências legais. Esse descumprimento prejudica tanto quem está na ativa quanto os aposentados, que dedicaram anos à Instituição.
Em março de 2026, o governo enviou à ALEMS um projeto de reajuste linear de 3,81% para todos os servidores, o qual foi aprovado rapidamente pelos deputados, sem grandes questionamentos . Os docentes da UEMS, representados pelo Fórum dos Servidores, criticaram o índice por ser inferior à inflação do período e por ignorar as especificidades da carreira universitária. Essa medida agrava as dificuldades enfrentadas pela categoria e aprofunda o sentimento de desvalorização entre os profissionais.
O protesto e a situação de estado de greve estenderam-se a diversas categorias do serviço público. Professores, profissionais da Saúde e servidores do Detran-MS uniram-se ao professorado para denunciar o descaso do governo. Vale ressaltar que o impacto financeiro do reajuste representará um custo adicional em torno de R$ 353,5 milhões anuais aos cofres públicos.
Em sua defesa, o governador sustenta que o índice concedido respeita a saúde financeira do Estado, “política consistente, planejada e responsável do ponto de vista fiscal” . Contudo, essa justificativa é vista como uma afronta pela categoria, que aponta a incoerência de uma gestão que distribui recursos de forma farta e desigual: enquanto alguns setores são privilegiados, os servidores enfrentam o arrocho. É a política de: “para uns, tudo; para outros, nada”, disfarçada de prudência fiscal.
Parece haver dois governadores: um é Riedel para os servidores e a população em geral; o outro é aquele voltado estritamente aos interesses do agronegócio. Em contrapartida ao arrocho imposto ao funcionalismo, não se reduziu um centavo dos benefícios destinados aos setores da celulose, da soja e do boi. Pelo contrário, o montante de gastos tributários indiretos saltou de R$ 6 bilhões em 2025 para R$ 11,950 bilhões em 2026, beneficiando predominantemente o agronegócio e a indústria de celulose.
Representando 50,1% da receita estatal, esses montantes revelam uma contradição: a austeridade e o equilíbrio fiscal são impostos rigidamente aos servidores e a população em geral, mas ignorados quando se trata de preservar os privilégios da elite."
A autenticidade de Riedel na defesa do agronegócio é, de fato, impecável, tanto que, em 2027, o setor será agraciado com mais um vultoso pacote de benefícios, elevando a renúncia fiscal para R$ 12,6 bilhões, superando 13,4 bilhões em 2028. Segundo a Lei de LDO (Diretrizes Orçamentárias) 2026.
A gestão estadual prioriza a renúncia fiscal em detrimento da valorização do funcionalismo público e o atendimento a sociedade. Ao abdicar de bilhões em arrecadação para favorecer os setores de soja e celulose, o governo consolidou Mato Grosso do Sul com o 3º maior volume de incentivos fiscais proporcional à receita no país, contrastando com o péssimo atendimento na saúde, o descaso com a educação e segurança pública.
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