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Artigo - O governador enrascado, por Paulo M. Esselin

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 60 minutos
  • 3 min de leitura

RIEDEL, O GOVERNADOR ENRASCADO


****Paulo M. Esselin.

Prof. Titular Aposentado da UFMS


A crise estrutural e de gestão na média e alta complexidade: o caso do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul


A partir do último trimestre de 2025, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul “Rosa Pedrossian” (HRMS), em Campo Grande, passou a registrar um aumento significativo de denúncias formais e manifestações públicas acerca da precarização de seus serviços hospitalares oferecidos a população.

Registros audiovisuais divulgados por pacientes e familiares evidenciam severas limitações na infraestrutura físico da unidade. Entre os principais problemas operacionais, destaca-se a inoperância do sistema central de climatização, com temperaturas que chegaram a 40º. Esse colapso impactou diretamente setores de alta vulnerabilidade, como a ala de parturientes e a maternidade, onde a ausência de ventilação natural ou mecânica forçou a adoção de medidas improvisadas para amenizar o calor. Além disso, a área vermelha do Pronto Atendimento Médico (PAM), que deveria comportar apenas sete pacientes, tinha 20 internados, oito deles entubados. O atendimento aos pacientes era feito de maneira improvisada, em corredores e até mesmo em macas de ambulância.1

A superlotação e as falhas estruturais, caracterizadas pelo alojamento de pacientes em leitos improvisados nos corredores, comprometem os protocolos de biossegurança e a dignidade do atendimento. Na área externa, a gestão de resíduos e inservíveis apresentou inconformidades sanitárias, com o armazenamento inadequado de mobiliário hospitalar em desuso. Tal cenário propicia o acúmulo de água da chuva e cria condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti em área contígua às alas de internação. Governador, pense em um surto de Chikungunya no Hospital Regional, algo que, diante da situação vivida naquela unidade de saúde, não pode ser descartado.

Diante do agravamento dos indicadores de qualidade e de segurança dos pacientes, observa-se uma lacuna na governança imediata do Poder Executivo estadual. A ausência de intervenções estruturais e de vistorias técnicas por parte da alta administração do Estado reflete os desafios de priorização política na gestão da saúde pública sul-mato-grossense. Essa omissão institucional corrobora a fragilidade das políticas de contingenciamento e evidencia o subfinanciamento crônico que tensiona a rede de média e alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS) na região.

Com toda essa tragédia ocorrendo no Hospital Regional, por onde andava o governador Eduardo Riedel? O chefe do Executivo estadual estava em Campo

Grande (MS), onde participou do 4º Encontro de Lideranças da Suinocultura, organizado pela Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (ASUMAS).

O evento celebrou a expansão de 50% do setor nos últimos três anos e debateu aportes financeiros superiores a R$ 300 milhões para modernizar as granjas.2 Além disso, Riedel participou da 26ª Festa do Pé de Soja Solteiro, em Laguna Carapã.

A diferença entre essa agenda e a situação do Hospital Regional reforça a crítica de que o governo tem priorizado setores econômicos do agronegócio, uma típica decisão de classe, enquanto a saúde pública segue marcada pela precarização.

Esse comportamento governamental reflete a teoria da seletividade do Estado, em que a máquina pública prioriza os interesses das classes economicamente dominantes. Assim, a alocação de recursos nas elites agrárias contrasta com a negligência estrutural nos hospitais públicos, consolidando uma governança que privilegia a acumulação econômica em um único setor em detrimento dos direitos sociais básicos da maioria da população.

Essa avaliação não é mera retórica, antes fosse. Ela pode ser verificada em documentos oficiais, na imprensa e na realidade observada diariamente. Enquanto a sofrida sociedade sul- mato-grossenses se enfraquece cada vez mais, carregando o peso da esperança de usufruir os seus direitos constitucionais na área da Saúde e de outras políticas públicas, conforme lhes foi prometido pelo governador Riedel quando ainda estava em campanha, os proprietários de criatórios de suínos, sojicultores são contemplados com a atenção máxima deste atual Governo que, se fazendo de ouvidos moucos aos apelos da população que o ajudou a se eleger, escolheu, há tempos, governar apenas e tão somente para beneficiar os produtores rurais. Lembremo-nos que o grande perigo é continuar a “DAR PÉROLAS AOS PORCOS”.

NOTAS

1- LOPES, Nadine; SOARES, Agnaldo. G1 MS / TV Morena. Imagens exclusivas mostram superlotação e situação insalubre de pacientes no Hospital Regional de MS. Campo Grande, 24/04/2026, 17h24.

 
 
 

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