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Artigo - Musical Cabeza de Vaca, por Raquel Naveira

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga chega com artigo/texto da escritora e poeta campo-grandense Raquel Naveira, com Musical Cabeza de Vaca.


MUSICAL CABEZA DE VACA

Raquel Naveira



Foi lançado o CD CABEZA DE VACA-ANDARILHO DAS AMÉRICAS, idealizado e produzido por Moacir Lacerda, líder do Grupo ACABA: cantadores do Pantanal. Trata-se de um musical, com vinte e duas faixas em parceria com convidados, entre artistas, poetas e instrumentistas, como Ana Lúcia Gaborim, Aurélio Miranda, Gilson Espíndola, Luiz Alberto Sayd, Marcos Assunção, Pedro Ortale, Marcelo Fernandes, Tetê Espíndola e outros.

Através de declamações de poemas, música instrumental (como “Suíte Seviliana”, de Pedro Ortale) e canções, é contada a história fantástica de Dom Álvar Nuñes Cabeza de Vaca (1490-1559), o explorador espanhol que primeiro pisou as terras do Pantanal, chamando-o de Mar de Xaraiés.

Vários dos poemas de meu livro ROMANCEIRO DE CABEZA DE VACA: O ANDARILHO DAS AMÉRICAS foram musicados. No disco 1, temos a canção “Maria do Marmolejo”, interpretada por Luciana Fisher; “Gran Cânion”, com Moacir Lacerda; “O Andarilho das Américas”, com Ana Lúcia Gaborim e Marcelo Fernandes, que, com suas interpretações e arranjos, criaram toda uma ambientação ibérica, espanhola, medieval, erudita, com notas árabes. Há ainda o nosso “Estebanico”, declamado por Moacir Lacerda.

No disco 2, chocalhos e trombetas introduzem o “No Caminho de Peabiru”, faixa assinada por Moacir Lacerda, Zé Geral e Josiberto Lima; Luciana Fisher canta nosso “Chuvas de Prata” com um encanto especial e a brilhante participação de Tetê Espíndola em “Fera Indomável”, de Moacir Lacerda e Luiz Sayd. Fecha o CD nosso poema “A Chama da Paz na América do Sul”, em tons que lembram uma marcha de lutas e esperanças no continente americano.

Muitos podem ser os desdobramentos desse produto cultural, fruto de tantas pesquisas e criações artísticas: introduzir jovens ao estudo da vida desse extraordinário personagem histórico, o Cabeza de Vaca; um musical encenado a partir dos textos e das músicas; um filme épico, com grandes tomadas da natureza, de cataratas e terras pantaneiras. As possibilidades são infinitas e as sementes foram lançadas.

Seguem poemas de nosso ROMANCEIRO DE CABEZA DE VACA: O ANDARILHO DAS AMÉRICAS (Rio de Janeiro: Íbis Libris), que serviram de base e inspiração para algumas dessas composições.


MOTIVOS


Que motivos me levaram

A uma vida de aventuras

E façanhas?

A sair da Espanha,

Percorrer todo o globo,

Observando,

Tomando notas,

Resistindo à natureza

Com as forças de minhas entranhas?


Tinha bons equipamentos:

Navios,

Pólvora,

Canhões

E vontade de vencer,

Ansiedade pelo novo,

Confiança,

Como um fruto que se apanha.


Ventos sopraram na primavera

E me levaram,

Depois, no outono,

Trouxeram-me de volta

Ao porto do sono,

Aos sonhos de conquista.


Que motivos me levaram

A romper caminhos,

A travar contato

Com grandes civilizações

E povos selvagens,

Confusos e absortos?


Terá sido avidez por fama?

Leitura de romances de cavalaria?

Sede de combate?

Encantamento por monstros

E terras estranhas?


Não sei...

Sou apenas um homem de ação,

Um homem do meu tempo,

Um místico cristão,

Um profeta

Com sede de expansão

De mim mesmo,

De minha mente,

Orientado pela visão de céu,

De mar,

Que sempre me acompanha.



CÂNION


Na ravina,

Cabeza de Vaca

Vê a vala:

O rio cortou rochas,

Formou canais,

O vento embala os penhascos,

Raios de sol

Pintam de mil cores

Os arcos e as montanhas;

Chuvas desceram as escarpas,

Lamas amolecidas

E róseas

Grudaram nas falésias

Como opalas;

Mãos invisíveis

Acariciam a areia

Que se acetina.


Foi sua sina,

Prêmio por sua coragem

E disciplina:

A paisagem do cânion

Impregnou

Sua retina.


MARIA MARMOLEJO


Sou Maria Marmolejo,

Conheci Álvar,

O cavalheiro.

Casamos na igreja

Do vilarejo.


Tempos depois, ele partiu,

Num navio de velas brancas,

Deixando-me só,

Com meu desejo.


Meu viver não tem mais cura,

Ele sonhava com ouro,

Aventura

E eu de febre latejo.


Nada me consola

Nesse silêncio sem futuro.

Na secura

De um útero vazio,

Lacrimejo.


Partiu...

O vento era benfazejo

Para a travessia.

Fico no cais, noite e dia.

Sou Maria Marmolejo.


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1 Comment

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luzazulproducoes
Jul 29, 2023

Ahhh Que legal ficou pronto… foi um prazer participar desse projeto Viva Moacir!!!

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