Artigo - “Em Mato Grosso do Sul a Bandidagem não Tem Vez”, por Paulo Esselin
- Alex Fraga

- 30 de abr.
- 3 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto do professor titular aposentando da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com Paulo Marcos Esselin, com "Em Mato Grosso do Sul a bandidagem não tem vez".
Paulo Marcos Esselin
Prof. Titular aposentado da UFMS
A frase que dá título a este artigo tem sido recorrentemente utilizada por um ex-governador e atual pré-candidato ao Senado — o mesmo que, recentemente, migrou de "mala e cuia" do PSDB para o PL. Essa mudança, contudo, tem gerado desconforto, rendendo-lhe críticas de novos correligionários que o classificam como oportunista.
Mas qual tem sido, de fato, a relação do ex-governador e do atual gestor com a principal força militar do Estado, a Polícia Militar?
Recentemente, o governador Eduardo Riedel participou da entrega da Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da PMMS. Na ocasião, o deputado estadual Coronel David, representando a Assembleia Legislativa, pleiteou avanços urgentes na valorização dos militares. O pedido incluiu a regularização de promoções, ampliação de vagas em cursos de formação e o necessário reajuste salarial.
Os números justificam o pleito. Segundo o DIEESE, durante os dois mandatos de Reinaldo Azambuja, as perdas salariais dos militares estaduais (policiais e bombeiros) atingiram a marca de 40% a 44%.
Diante da realidade e diferente do que tem sido dito, Riedel anunciou a "valorização efetiva" das categorias, assumindo o compromisso público de colocar as promoções em dia — obrigações que já deveriam ter sido cumpridas há anos. O atraso denota um descaso semelhante ao dado a outras categorias do funcionalismo público.
A postura do Executivo, entretanto, revela-se contraditória. Ao final da solenidade, questionado por um repórter sobre o auxílio-alimentação de cabos e soldados — congelado em módicos R$ 100,00 desde 2013 —, o governador, invariavelmente formal e se julgando superior a totalidade dos mortais, foi taxativo e deselegante. Mandou o profissional "estudar" para conhecer suas realizações. Ciente do erro e de olho nas eleições de 2026, recuou logo em seguida para tentar se explicar.
É preciso pontuar: um auxílio de R$ 100,00 não garante sequer o arroz e o feijão básico no lar de um soldado. Governador, promover oficiais não é um favor ou concessão política; é o estrito cumprimento da Lei nº 61, de 7
de maio de 1980. Cumpridas as exigências legais, a promoção deve ser automática e ponto final.
Esse tratamento evidencia as dificuldades estruturais da nossa Segurança Pública. O Estado opera com um déficit crítico: postos de 2º Tenente, por exemplo, funcionam com apenas 30% da capacidade prevista (conforme dados de gestão de efetivo da PMMS). Enquanto o efetivo diminui, a criminalidade e as demandas aumentam.
O reflexo dessas decisões atinge os mais vulneráveis. Mato Grosso do Sul ostenta a vergonhosa estatística de 2ª maior taxa de feminicídio do país, com 181 mulheres assassinadas em cinco anos (conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública).
Para agravar o quadro, o Decreto nº 16.736 (13/02/2026) impôs um corte de 25% nos contratos de custeio e restrições de gastos até o fim desse ano. Com frotas sem renovação e racionamento de combustível, a segurança minguante sofre novo golpe. O governador que reduziu recursos para as áreas de saúde, Educação e Segurança, é o mesmo que não tirou um centavo do agronegócio, da celulose, da soja, do boi, pelo contrário as isenções tributarias saltaram de R$6 bilhões em 2025 para R$ 11.950 bilhões em 2026. O agronegócio sim, é prioridade, do governo Estadual basta verificar como os recursos são distribuídos no orçamento.
Anunciar promoções represadas em pleno ano eleitoral não é gestão, é estratégia política. Ao contrário do slogan oficial, a bandidagem prospera — não pela falta de brio dos militares, mas por decisões políticas equivocadas.





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